Perdida em mim, sonho acordada todos os dias. Em uma linha tênue, me equilibro assustada, quero ser livre, penso, por favor, quero ser livre de minhas mazelas. Crescer é complexo, eu imagino, tão pequenina em um emaranhado de uma cadeia de seres tão enigmáticos quanto eu imagino que sou. Afinal, não entendo a mim mesma.
Sonho com todas as pessoas que eu já fui e com todas que ainda serei. Em uma transmutação ofertada pelo cosmos, tenho apenas para dar a pequena florzinha que achei perdida na rua, tão parecida comigo, tão pitica e sonhadora quanto eu. Imagino se quando ela fecha seus olhinhos, como eu fecho os meus, ela se imagina liberta.
Portanto, me transformo em mim mesma.
Quando Morfeu acaricia meus cabelos de espiral, encontro-me comigo mesma, parada me encarando. “Não me deixe”, ela pede. “Eu desejo que isso fosse possível. Não tenho a mim mesma”. Estou assustada, mas as cartas me mostram A Estrela, os cristais sorriem comigo e as velas brilham de felicidade. Nada é eterno.
Nos meus sonhos, não sou dominada por minhas dores, nos meus sonhos, as mulheres que vieram antes de mim e as que ainda virão são tão livres quanto eu. Cantamos em uníssono, em um sonho dirigido por Saidyia Hartman, sou atravessada e nessa travessia, sou livre, enfim.
Texto enviado por Maria Gabrielle Mello Miranda




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