Eu não lembro muito bem de como chegou a isso, mas a visão era meio 360 como o vídeo da música locket do crumb, e teve uns flashs de amor antigo e eu estava andando nessa rua, atravessando a rua num sentido longo, o sol raiando, tudo muito vivo. Era um parque de propaganda de tv. Aí começa um jogo de queimada e várias bolas de basquete pesadas vem na minha direção, como aconteceu em uma aula de educação física no fundamental, quando as outras meninas fizeram um plano e jogaram todas as bolas em mim de uma só vez. Acordei ofegante e com um grito de dor, me sentido diminuta na cama.

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Tenho tido sonhos intensos e mórbidos.

Era uma festa a fantasia e eu iria de Barbie. S estava me ajudando com a fantasia, pintando meus olhos para que ficassem parecidos com os da boneca, mas quando vi no espelho tinha costurado com uma agulha, igual um fio de cabelo, um delineado azul. Eu não senti nada. Também havia feito uma deformação com a linha em minha testa, para se parecer mais com a da boneca. Uma cirurgia plástica. Quando vi, faltava só um olho e eu não queria que ela chegasse perto de mim, a dor imaginária queimava e eu desviava da agulha enlouquecidamente. Não queria que fosse uma maquiagem de linha e costura, apenas uma maquiagem comum com pós e pinceis macios, tentava explicar a ela, que com pouca paciência me enfiava a agulha nas pálpebras.

Disto, penso em duas coisas:

  1. A nossa amizade que morreu com o tempo, distância e crescimento. Nada é pra sempre. Como éramos amigas na infância? E como tudo isso nasceu de um desgosto prematuro que meio que voltou. Acho que só posso ter uma melhor amiga por vez, mas ao menos hoje tenho mais amigas que posso contar. Não sei o que a S pensa de mim, e tenho medo de descobrir. Espero que seja um gigante baú vazio mas com algumas relíquias e notas.
  2. A forma como me sinto errada, farsante e nada vontade quando maquiada.

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Pensando agora era como seu eu fosse a Liz de Jawbreaker, naquele momento onde as amigas invadem a casa e raptam ela. Eu ainda morava naquele lugar improvisado meio Anne Frank mas sem todo o contexto. Foi estranho quando acordei e cai na real que já faz um tempo que não moro mais lá. Amém, Deus! S e até a L estavam lá me esperando acordar, em volta da cama, com presentes. Elas falavam que era uma data especial e aquele coisa que tantos anos só faz uma vez, todos os anos, era eco. Eu sentia uma coisa estranha porque faz mais de anos que não tenho uma conversa de verdade com nenhuma delas e as recordações são sempre infelizes. Quando imagino a possibilidade de encontra-las na rua até perco a vontade de sair de casa. E Deus sabe como eu amo sair de casa. E eu amo sair de casa por causa desse tempo enclausurada num lugar que….

E quando cheguei em casa quarta a noite eu vi os móveis antigos, cobertos com as mantas antigas junto ao móveis novos e achei tudo um enorme conforto. Como é bom estar em casa mesmo sem ter tudo. Nunca vou ter tudo tudo mas as vezes terei algumas coisas e noutras terei outras.

autor anônimo

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