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Para finalizar os convites do mês do sonho na Blush, convidamos Brs2no para nossa exposição. Suas obras atingem diversos âmbitos da (sobre)vivência humana, principalmente em situações onde o corpo e o sistema são colocados em provocação. Para a Expo Blush, adentramos mais um novo caminho que tem explorado: o AI. O uso dessa ferramenta traz ainda mais intriga ao trabalho de Brs2no, que vem sendo considerada uma ameaça para vários espaços de trabalho humano, sem levar em conta que é justamente o sistema econômico que nos força a vivermos cada vez mais precarizados. O sonho dessa vez, entra mais do que nunca como tradutor visual de anseios e desejos de realidades (im)possíveis; espaço de conforto da meta realidade, inquieta.
1. Uma breve apresentação sobre você e sua carreira como artista…
Oiii meu nome é brs2no sou artista conceitual e não-binário nascido em santos na metade dos anos 90. Me expresso principalmente através das artes plásticas, fotografia e vídeo. Sou estudante de arquitetura e formado em publicidade.
Atualmente gerencio um pequeno ateliê e sou sócio de uma marca de roupas de produção sustentável onde trabalho como diretor de arte e desenhista de moda. Meu trabalho rompe politicamente as estruturas do capitalismo e questiona construções sociais como raça e gênero, de forma desobediente e sonhadora.

2. Conta pra gente sobre o conceito por trás desse trabalho e seu processo de produção! se possível, inclua fotos desse processo.
Eu comecei a jogar meus sonhos e as imagens da minha cabeça dentro de prompts de inteligências artificiais, na tentativa de representar universos onde o capital não é o âmago das nossas conexões neurológicas.
Passei a usar o termo pós-capitalista pra descrever os primeiros momentos depois do fim do capitalismo, as crianças brincando, os pássaros voando, as águas do rio passando. O pós-capitalismo é o espaço-tempo onde colhemos os frutos da luta anticolonial, onde literalmente temos terra e semente para tal. No pós-capitalismo não existe relógio, dívida ou burocracia, são coisas das quais não serão repassadas para as novas gerações porque a geração do rompimento fez questão de esquecer.
Aí tenho usado elementos de utopia e surrealismo, me inspirado na tropicalia e no afrofuturismo para imaginar novos diálogos sociais.



3. Qual é a ferramenta que você usa e como funcionam seus prompts para obter um resultado mais próximo do seu estilo?
Atualmente a principal ferramenta que eu uso pra fazer minhas imagens usando AI é o midjourney, eu acho relativamente intuitivo, com boas opções de personalização e gosto dos resultados que consigo lá, principalmente quando eu quero chegar em uma estética mais parecida com fotografia. Também já usei muito o dall-e 2 para conseguir resultados mais ilustrados ou que pareçam pinturas. Para gerar vídeos eu tenho usado o runaway, apesar de saber que existem ferramentas bem melhores hoje em dia, como a Sora, que ainda não tive tempo de me aventurar.
Eu geralmente escrevo os prompts da forma mais minuciosa que consigo, descrevo a cena, o mood, os personagens, as vestimentas, os objetos, o tipo de iluminação, o ângulo de observação, o tipo de câmera, a distância focal da lente, tudo que precisa ser considerado para que a AI entenda minimamente o que eu quero que ela gere. Ainda assim, eu gasto horas gerando e mesclando os resultados entre si pra chegar aonde eu imagino. Algumas vezes eu também experimento prompts menores e mais genéricos.
4. Você passa essas artes por algum tratamento após gerá-las?
Praticamente todas as imagens passam pelo Photoshop em algum momento, principalmente para corrigir contraste, saturação, balanço de branco ou outra questão técnica. Mas também uso o Photoshop para colagens e montagens mais complexas ou criativas e volto essas informações pra AI, escrevo outros prompts e vou repetindo esse processo até chegar o mais perto possível da imagem que eu idealizo.

5. Como foi entrar nesse novo modelo de fazer arte? Tanto pensamentos e tomada de decisão quanto o como você enxerga arte feita artificialmente hoje.
Eu sou um artista experimentalista, eu não gosto de pensar na possibilidade de estar preso a uma só mídia, eu tenho muita coisa presa na minha cabeça então a todo tempo procuro novas formas de expressá-las. usar AI pra isso foi tão natural quanto fazer um desenho a lápis, ou fazer uma escultura com massinha. Eu fiquei obcecado pela possibilidade de finalmente criar imagens que antes precisavam de muitas horas e muito dinheiro para chegar a um resultado satisfatório.
Também passei a ver a AI como uma forma de rascunho visual e usar como referência na hora de fotografar ou explicar algo para alguém que eu vou trabalhar junto, por exemplo.
As pessoas tem um grande preconceito com arte feita usando AI porque não entendem que é apenas uma ferramenta. Você ainda precisa de um artista para fazer arte. um artista que precisa se alimentar, sonhar e se relacionar. isso não pode ser gerado por AI. Muita coisa tem sido feita mas não é necessariamente arte. Arte precisa de propósito e conceito ainda que não ter propósito seja o conceito. qualquer um pode gerar uma imagem usando AI assim como qualquer um pode pintar um quadro.
6. Como a pauta do mês é mundo dos sonhos a gente quer saber – você tem algum sonho recorrente? ou algum que te marcou muito?
Quando eu era criança eu tinha muitos pesadelos que se repetiam, eu lembro de sentir medo de dormir. acho que foi um dos motivos de eu ter desenvolvido insônia por tantos anos. ainda tenho alguns sonhos que se repetem, inclusive alguns de quando eu era pequeno. com o tempo eles foram se misturando e tendo seus enredos expandidos, mas hoje eles servem basicamente de gatilho para que eu entenda que estou sonhando e consiga ter sonhos lúcidos. eu amo tanto ter a habilidade de controlar meus sonhos que fico frustrado quando não os controlo. num sonho lúcido eu costumo fazer coisas que não tenho coragem ou poder pra fazer na vida real, como beijar uma garota que namora ou roubar um avestruz. eu amo a sensação de voar e geralmente é a primeira coisa que eu faço quando percebo que estou sonhando. eu começo a saltitar a passos largos e aos poucos me sinto menos preso ao chão. quando dou por mim estou sobrevoando florestas ou passando rente aos prédios da cidade. uma vez eu entrei por uma janela e me vi deitado na cama dormindo, foi um sonho que me marcou bastante porque na hora eu pensei “ufa, ainda estou dormindo” e continuei voando. eu também amo sempre que sonho que estou participando de um grande assalto, eu amo a adrenalina e toda a ação envolvida. eu uso os sonhos lúcidos pra criar e testar pensamentos ou situações. às vezes até uso o sono pra resolver questões da vida real. até hoje os sonhos mais loucos da minha vida foram da época que eu abusava de drogas e remédios pra dormir. eles geralmente mesclavam sonho e realidade, mas não sinto muitas saudades disso.

Acesse o portfólio de Brs2no para conhecer mais sobre o seu trabalho e suas visões! ˚ ༘♡ ⋆。˚ ୨ৎ








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