durante a minha pré-adolescência e adolescência em si colecionei anos de terror e pavor de espelhos. cresci me achando feia, esquisita, com muitas espinhas, problemas de me enxergar e inseguranças plantadas nas partes mais fundas do meu cérebro. só me olhava no espelho quando precisava me arrumar ou me cobrir de maquiagem, se me deparava com o reflexo de alguma vitrine, janela ou espelho na rua, eu evitava cruzar com o meu próprio olhar. 

com o começo da minha vida adulta, terapia e olhares mais gentis, esse medo de espelhos foi passando e fui começando a me conhecer através de vários reflexos. hoje em dia minha relação comigo mesma, com espelhos e com meus reflexos é de certa paz e neutralidade, e tirando fotos no espelho consigo registrar momentos e cruzamentos que antes não passavam pela minha mente. 

nessas fotos tem momentos em que me arrumo no meu quarto, no quarto de outras pessoas, no airbnb que fiquei no catete no rio, tem lugares que frequentei, lugares que frequentei mais de uma vez, banheiros, roupas que se repetiram, corte de cabelo que mudou, provador e uma eu que fez paz com seu reflexo quando cruzo com ele em momentos diversos e reconheço ele como parte de mim, e daquele lugar pelo qual eu passei e estive. 

@arimuraluana

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