Estamos de volta para o nosso espacinho para indicar tudo que gostamos e aprovamos. Cada uma de nós montou uma listinha de recomendações de mídias, incluindo filmes, livros, álbuns e muito mais…

Tudo sob a temática do mês de Maio ⋆ City Grrrl  ⋆

Para começar, montamos juntas uma playlist pensando nas voltas que damos pela cidade, com músicas para ouvir na caminhada para o trabalho, para se arrumar para uma festa ou ouvir no transporte público…
Ouça aqui!

dressa
  • deceptacon | le tigre
  • city grrrl | css, ssion
  • modern girl | sleater-kinney
  • new town | life without buildings
  • before the world was big | girlpool
  • rebel girl | bikini kill
  • drunk walk home | mitski
  • my body’s made of crushed little stars | mitski
  • expectations | belle and sebastian
  • the word lisa | the world is a beautiful place & i am no longer afraid to die
lua
  • delicious things | wolf alice
  • road head | japanese breakfast
  • girlfriend | hemlocke springs
  • reason | pinkpantheress
  • glasgow | jockstrap
  • lottery noises | alvvays
  • american teenager | ethel cain
  • brando | lucy dacus
  • step | vampire weekend
gabriela
  • correndo atrás | marina lima
  • speed racer | fernanda abreu
  • music is my hot hot sex | CSS
  • a world alone | lorde
  • die tonight | charli xcx
jejé
  • fast car | tracy chapman
  • hangar | 8485
  • 光の方へ | kaneko ayano
  • garden | hinds
julia
  • pop punk travesty | lung leg
  • pedestrian at best | courtney barnett
  • friendship station | le tigre
  • rico sem dinheiro | evinha
  • 8 am | coco & clair clair
  • lollipop (ode to jim) | alvvays
  • take me home | pinkpantheress
  • taiyo | asobi seksu
sofia
  • extraordinary machine | fiona apple
  • conspiração internacional | kid abelha
  • em trânsito | evinha 
  • road to nowhere | talking heads
  • 7 am | jacqueline taieb
  • p.u.n.k. girl | heavenly
  • trees and flowers | strawberry switchblade
  • superstafa | rita Lee
  • nada tanto assim | kid abelha 


Girls

lena dunham; judd apatow (2012-2017)

Impossível falar de city girls sem falar das OG Girls. Se você tem pelo menos 20 anos, provavelmente essa série te acompanhou e te ajudou em algum momento da sua vida, e se isso ainda não aconteceu, talvez a hora seja agora. A Lena Dunham é como se fosse uma irmã mais velha que já passou por tudo que você ainda vai passar, ela é a prova viva de que dá pra viver os picos mais altos e as fossas mais profundas e mesmo assim ser você mesma pro resto da sua vida. É muito libertador encontrar nessas personagens a voz que muitas vezes não conseguimos soltar, as ações que não sentimos ter o direito de executar, as experiências que temos medo de sentir. Por mais que as situações às vezes sejam horríveis, elas fazem parte de quem a gente consegue ser nesse mundo, nessa vida, nessas cidades – que são sempre tão parecidas. 

– gabi mello

As personagens são tão imperfeitas – passamos quase todo o tempo nos estressando com pelo menos uma delas por vez (quase sempre, com a Marnie). Mas se formos analisar bem essa situação, provavelmente nos sentimos assim porque nos identificamos pelo menos um pouquinho com elas. Ou talvez o julgamento venha por não termos experimentado o mundo como elas o fazem (é como se estivéssemos em uma terapia em grupo). De qualquer forma, a escrita é divertida e super autêntica e, no final, nos sentimos confortadas sabendo que podemos cometer erros, ser imperfeitas, aceitar nossas fraquezas e celebrar nossas vitórias, grandes ou pequenas. Girls é como se fosse um rito de passagem para jovens tentando entender o que fazer com a própria vida enquanto o mundo não para.

dressa


⭑ Lua⭑

Em 2021, a banda queridinha do meu coração lançou um álbum chamado Blue Weekend e junto com ele, uma coleção de clipes, um para cada faixa do álbum que juntas formam uma narrativa em forma de curta metragem que ilustra justamente o que a Ellie Rowsell disse em entrevista com a NME: finais de semana podem ser divertidos mas também cheios de drama. E para cumprir essa missão, os clipes são uma colagem de eventos um tanto como mundanos mas ainda marcantes e até mesmo mágicos em uma noite pela cidade.

“Could I belong here? The vibes are kinda strong here”

O curta de Blue Weekend é cheio de cenas lindas e tocantes e é muito fácil de se identificar com vários momentos do curta – pegar uma carona ou dividir um espaço com pessoas que você não conhece e ter um momento de apenas existir ali (Delicious Things), se encantar com algo repentinamente e acabar se afastando dos seus amigos (Lipstick on the Glass), cantar uma música no karaokê e encontrar um desconhecido que ama aquela música igual você ama também (How Can I Make It OK?), dizer um adeus em um fim que deveria existir (No Hard Feelings), dividir risadas e fofocas no transporte público com seus amigos no final da noite, início da manhã (The Beach II).

Todos esses momentos são representados com muito azul (enfatizando o título do álbum) mas também complementados com cores como amarelo e vermelho, trazendo pra esse frio de azul, tons mais quentes para momentos de conexão, encanto e alta adrenalina. Somando isso com cortes e ângulos que trazem muita dinâmica e sustentam a atenção de quem estiver assistindo, Blue Weekend é uma composição linda que derrama uma luz mágica sobre experiências universais em espaços compartilhados com sentimentos de melancolia, descoberta e encanto.

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A Idiota

Elif Batuman

“It can be really exasperating to look back at your past. What’s the matter with you? I want to ask her, my younger self, shaking her shoulder. If I did that, she would probably cry. Maybe I would cry, too.”

Quando li esse livro, foi difícil ignorar as pontas de dor que eu sentia no meu peito por me identificar tanto com a Selin. Assim como ela, comecei a provar doses maiores de independência em uma cidade universitária, que apesar de tão grande, era tão difícil de achar um espaço para mim. Ingressamos até mesmo em cursos equivalentes. Tivemos encantos e desencantos por desconhecidos. Saímos de um lugar onde éramos as mais inteligentes pra viver em um onde o sentimento de ser a mais ignorante era o que mais permeava. Tivemos a cabeça dividida entre ingenuidade e o saber demais.

Chorei em partes que, de certa distância, não deveriam provocar nenhuma emoção sequer. Mas eu entendia exatamente todas as dores da Selin de descobrir que em mundos de tantas pessoas, podemos estar fadadas à insignificância e ainda ter o sentimento de mas eu ainda sou bem mais interessante.


⭑ Sofia⭑

Retrato de uma Garota do Fim dos Anos 60 em Bruxelas

Chantal Akerman 

(1994)

Queria indicar esse filme “Retrato de uma Garota do Fim dos Anos 60 em Bruxelas” que a minha amiga Catarina (da Blush) me indicou a muitos anos atrás. Essas últimas semanas fiquei pensando muito nesse filme, assisti há uns bons anos atrás, mas voltei a me lembrar dele quando tava pensando no tema desse mês. Daí fui reassistir e foi bem interessante, porque na época que assisti pela primeira vez, eu tinha mais ou menos a mesma idade da protagonista e minha vida tava muito diferente de como está hoje, mas mesmo estando num outro momento agora, de certo modo eu ainda carrego meus sentimentos da adolescência na vida adulta. Fiquei pensando sobre como a experiência city grrrl é meio universal mas ao mesmo tempo bem individual né, eu moro em brasília e tenho uma rotina/relação com a minha cidade muito diferente das meninas que moram em SP por exemplo, mas mesmo assim a gente experimenta muitas das mesmas emoções e expectativas com relação à vida. É impressionante como uma garota adolescente da Bélgica, nos anos 60, possa sentir e ver a vida da mesma maneira que nós aqui no Brasil hoje. Também fiquei pensando muito na Catarina enquanto assistia. Pensei sobre como nós passamos a infância juntas e agora a caca vive do outro lado do mundo e temos vidas e experiências tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais… Enfim, o filme é muito bom, é bem curtinho e tem completo no youtube!


⭑ Dressa⭑

The Punk Singer

Sini Anderson

(2013)

o doc “the punk singer” retrata a carreira de kathleen hanna, a vocalista do bikini kill (e posteriormente do le tigre) que liderou o movimento feminista riot grrrl nos anos 90, em que garotas formavam bandas para gritar as dores de ser mulher. descobrir o bikini kill e riot grrrl aos 14 anos junto com minha irmã foi um momento muito marcante na minha vida; posso afirmar que antes eu era uma pessoa e depois outra completamente diferente. me tornei mais confiante e, ao mesmo tempo, descobri uma raiva intensa sobre o mundo ao meu redor. essa raiva, porém, não foi só uma força destrutiva mas também me tornou uma pessoa mais corajosa e criativa. passei muitas tardes faltando os treinos de ginástica rítmica para ficar no tumblr procurando as zines que elas faziam, descobrindo bandas novas (sonic youth e hole!) e aprendendo o básico sobre o que era feminismo (também criei coragem de vestir roupas que não fossem calça jeans e camiseta. sinto que isso é muito importante também). se não fosse por essa descoberta, eu demoraria mais alguns anos para ter meus olhos abertos sobre como é terrível ser uma garota e também o quão mágico é reconhecer sua própria importância no mundo e saber que você faz parte de algo maior. e saber que é possível ajudar outras garotas, gritar minhas inquietações e ser quem eu quiser ser, sem medo do que os meninos vão achar.

o documentário é uma ótima introdução ao riot grrrl, por mostrar as origens do bikini kill e de outras bandas influentes da época, como bratmobile e sleater-kinney. sinto que ressoa com o tema do mês pois narra a história de uma jovem com muitas opiniões que cria um espaço para se expressar e se conectar com outras meninas que buscavam o mesmo que ela. hoje, revisitando isso tudo como adulta, tenho algumas críticas tanto sobre o documentário quanto o movimento riot grrrl, mas ainda tenho um apego muito forte pelo o impacto positivo que teve em mim quando era mais nova. indico 1000x!

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Tonight I’m Someone Else

Chelsea Hodson

numa manhã, há uns anos atrás, faltei ao estágio para passar o dia na praia. eu moro no rio, então prefiro ir numa quarta-feira porque no final de semana fica muito cheio. achei esse livro no quarto da minha irmã (a jejé daqui da blush também :3) e levei comigo para me fazer companhia no metrô e na areia.

tonight i’m someone else é um livro de ensaios pessoais escrito por chelsea hodson, que me parece mais uma coleção de contos sobre a juventude da autora e suas experiências formativas. passamos por situações parecidas e por isso me encontrei nessa obra formada por histórias sobre relacionamentos ruins, intimidade, primeiros amores e o desejo de querer explorar o mundo apesar das incertezas e dos momentos de estagnação.

a habilidade dela em revisitar essas memórias de forma tão honesta e dar significado a elas me encantou, e o livro me acompanhou por mais alguns dias naquela semana, escondendo ele debaixo da mesa do trabalho e mais tarde arrancando ele da bolsa no metrô; parece que vivemos um romance juntos. na verdade, me lembrou muito a sensação de fazer amizade com alguém que entende muito bem tudo que você quer dizer.


⭑ Jejé⭑

pelas lentes de Nick DeWolf

conheci seu trabalho de bobeira pela internet, e acho que seria uma ótima adição para o Mídias de Maio. suas fotos retratam a beleza das ruas, a correria do dia a dia, de pessoas com pessoas e pessoas sozinhas e pessoas e pessoas e pessoas…. acredito que foi isso que me encantou. poder ter esse acesso a momentos tão simples, como uma feirinha de rua, uma peça no teatro local, uma maratona ou um encontro entre amigos na padaria da esquina, esses retratos espontâneos de pessoas vivendo suas vidas décadas antes de eu mesma ter a minha. afinal, o mundo sempre foi o mesmo – pessoas se apaixonam, abraçam umas às outras, dançam e se conectam o tempo todo desde sempre, e é tão mágico poder apreciar essas recordações tantos anos depois. 

eu não sei quem são essas pessoas nas fotos, mas imaginar que elas acordaram um dia, escolheram um vestido ou um acessório que gostavam e saíram de casa para realizar alguma tarefa importante, talvez resolver coisas no banco (clássico), ou apenas sentar em uma mesinha na praça, assistir um show, sem sequer imaginar que esse momento tão simples seria recordado e apreciado quase 50 anos depois… ❤ 


⭑ Gabi⭑

Eu comecei meu primeiro estágio esse ano – que não é o trabalho que eu quero fazer pro resto da minha vida mas que me dá um dinheiro bom – depois de ter tido as melhores férias da minha vida – saindo todos os dias, indo pra festas, bares, baladas, fazendo amigos e amores, me divertindo e me sentindo o mais livre que já me senti em toda minha vida. Talvez por isso, pra mim, ser uma city grrrl se resuma a ter que conciliar o que fazer com o prazer. Os dias, semanas, meses e anos são basicamente divididos entre o que a gente faz pra ganhar dinheiro e o que a gente faz pra gastar esse dinheiro. É impossível levar uma vida de só um ou só outro, por mais difícil que seja, a gente precisa conciliar os dois,
esse é o jogo de cintura das city girls.

the last days of disco

whit stillman

(1998)

Duas young city girls – Alice (Chloë Sevigny) e Charlotte (Kate Beckinsale) – recém formadas da faculdade, tentam descobrir o caminho para se tornarem adultas, oscilando entre trabalho (na The Company), vida noturna (na The Club) e os relacionamentos que surgem no meio disso tudo. Disco, diversão, competitividade e comunidade – tudo que uma cidade tem a oferecer.

*um adendo* uma das coisas que eu mais gosto nesse filme são os personagens divertidos e esquisitos que elas conhecem ao longo das noites, esses sempre são os momentos mais memoráveis das festas: quem você conhece nelas e como você se comporta em torno desse universo.

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party girl

daisy von scherler mayer

(1995)

Mary (Parker Posey) leva uma vida com pouco dinheiro, que ganha e gasta com basicamente uma coisa: Festa. Depois de ser presa por organizar uma rave ilegal, sua tia paga a fiança sob uma condição: um emprego na livraria. A partir daí, Mary oscila entre a inevitável cobrança de “ser alguém na vida” e a luta pelo direito de se divertir.


⭑ Jul⭑

A garota da banda

Kim Gordon 

O livro é uma autobiografia da Kim Gordon, ex-baixista/vocalista do Sonic Youth. Ela discorre sobre a cidade, os lugares que habitou, a sua trajetória no mundo das artes, ser artista e a “vida real”, a relação intensa com família, os amigos cool de NY e do inicio até o último show do Sonic Youth, que foi aqui no Brasil. É incrivelmente interessante ver toda essa história acontecendo pela perspectiva feminina, tão inquieta, questionadora, criativa, e que no momento estava passando por muita coisa, dá pra sentir na escrita.

Pra mim, ela é o que qualquer garota artista que ama música quer ser (autoanálise). 

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Feminist Sweepstakes

Le Tigre

Acho que esse álbum fala muito sobre crescer, esses primeiros contatos com o mundo adulto e todos os pensamentos sobre percepção de que “ok, esse é o mundo em que eu vivo”. Transitar entre a cidade, festas, trabalho… estar cansada, deprimida e ainda assim precisar acima de tudo continuar a viver, cumprir obrigações, ter um corpo.


⭑Catarina⭑

Flying Away

Smoke city

This must be underwater love…Esse álbum me transmuta pra época que eu tinha acabado de me mudar, resume bem a sensibilidade e a sensualidade necessárias pra aproveitar a vida na cidade como uma City grrl: Amar, conhecer, procurar na cidade de uma forma meio absurdista, como esse álbum. Tem elementos da música brasileira, experimental, eletrônica, House progressivo, etc. Ele fica muito especial também tocando no fundo enquanto se arruma pra sair.

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An Unmarried Woman

Paul Mazursky

(1978)

Eu amo esse filme porque mostra o poder da cidade do jeito que mais conversa comigo; um espaço pra encontrar ou desencontrar pessoas, brigar no táxi, ou beijar na rua. E que a melhor personagem do filme é Nova York. 


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Escreva uma resenha sobre qualquer uma das mídias indicadas aqui ou sobre trabalhos que tenham alguma relação com os da nossa lista
(assim facilita a nossa curadoria).
Pode ser algo que você já conhecia antes e sabe tudo sobre ou pode ser um trabalho que você nunca tinha visto e conheceu pela gente, contando suas impressões. (⁠ ⁠◜⁠‿⁠◝⁠ ⁠)⁠♡

As informações completas sobre o envio de resenhas está na nossa página ‘como participar’

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