hoje, descendo do 004 e andando a longa rua pra chegar em casa, começou a tocar modern girl das sleater-kinney, e não podia ser a escolha mais perfeita. vou colocar a música aqui para vocês lerem, mas escutem também, faz toda a diferença.
my baby loves me, i’m so happy
happy makes me a modern girl
took my money and bought a tv
tv brings me closer to the world
my whole life
was like a picture of a sunny day
my whole life
was like a picture of a sunny day
my baby loves me, i’m so hungry
hunger makes me a modern girl
took my money and bought a donut
the hole’s the size of this entire world
my whole life
looks like a picture of a sunny day
my whole life
looked like a picture of a sunny day
my baby loves me, i’m so angry
anger makes me a modern girl
took my money, i couldn’t buy nothin’
i’m sick of this brave new world
my whole life
is like a picture of a sunny day

eu tava voltando pra casa depois de não passar pela milésima vez no teste prático do detran e depois fui num retorno (não paga, por isso fui) na dermatologista. essa semana acabo de usar o roacutan. ela elogiou minha pele, uma coisa boa nesse dia, eu pensei. ela não é minha dermato original, a minha tá de licença maternidade e meu deus essa médica nova (conheci ela mês passado) tá grávida também. e eu não tinha percebido antes com nenhuma das duas. tô obcecada com gravidez, desde domingo, quando eu terminei de rever girls e tava conversando com meus amigos sobre gravidez e virou a conversa mais engraçada que tivemos, de todos os tempos. sim, eu favoritei umas mil mensagens. valeu a pena. mas enfim, andando com essa música tocando. ela começa com um instrumental. e pela rua que já andei tanto que não aguento mais, pensei, “nossa, mais um fracasso”. e andando pela rua vi o prédio horrível que ainda tá em construção, andei pisando nos quadradinhos de uma calçada que o restante é coberto de musgo, passei pelo prédio que vários gatos dessa área ficam por perto, passei por um terreno baldio que tem um esgoto na frente e sempre penso meu deus e se meu celular cair da bolsa aí dentro, e o mato é sempre alto e fico pensando na quantidade de bichos escondidos lá dentro que podem pular em mim quando eu passar. eu pareço paranóica mas acho que nem ia me assustar. de manhã mais cedo, esperando o 004 no telemar, caiu de não sei onde uma mini aranha, quase transparente, no meu cabelo e não tava querendo sair. e eu tenho medo de aranha, mas não emiti um som e nem fiz nenhuma movimentação brusca, só tentei tirar e na verdade, nem sei se saiu. igual uma vez quando eu tava em lucena com meus amigos, no começo do ano passado e, no caminho para um supermercado, eu tava andando na frente, e passou uma cobra na frente do meu pé e minha reação foi só falar “eita, uma cobra” e continuar a andar enquanto as três lésbicas e o gay atrás de mim gritavam. saudades dessa viagem e deles. éramos tão bobos e diferentes um ano e três meses atrás. mas voltando, depois passei pela casa que sempre tá com o interfone quebrado fazendo zuada, andei pelo sol quente esperando a árvore mais próxima (tem tipo, só 3 árvores nesta rua), passei por mais um terreno baldio que fica na frente da minha casa. vi a casa de primeiro andar do lado da minha, que o dono batia na mulher às vezes e já deu polícia lá, mas foi antes da gente morar lá eu acho, e acho que alguém que mora lá é traficante. olhei a casa dos vizinhos do outro lado, mas rapidamente e com desprezo, eles são pais de uma ex colega de colégio do meu irmão mais novo e donos da casa que a gente aluga, não gosto desses ricos. e a gente tá devendo 3 meses de aluguel. olhei pra onde moro, na verdade, dá pra ver ela de longe desde da parada do ônibus. fiquei feliz quando me mudei em 2019 mas não gosto de morar muito tempo no mesmo lugar, queria ter morado no máximo um ano lá. a tinta velha meio amarelada ainda tá lá e por baixo a tinta azul, tá acabadinha essa frente. mas não me importo, ela não é minha. eu tiro os fones e paro a música. vejo que mainha colocou uma mensagem no interfone que tá quebrado. eu fico, “meu deus mais uma coisa”. aí esmurro o portão porque não levei as chaves. ela demora um pouquinho e abre a porta, eu vejo alguns dos meus gatos e minha mãe, voltei para casa. talvez sinta saudade disso daqui um ano e três meses. talvez ser uma garota moderna seja ser um fracasso em algumas coisas, em alguns dias. mas pelo menos elogiaram minha pele. e enquanto eu esperava pra começar a prova do detran, o sol forte que entrava pela janela aberta batia nos meus braços e eu estava feliz, por poder sentir algo e ser bom, mesmo nas circunstâncias que eu estava. e porque tinha alguém que esperava por mim (uma unidade de mãe, 11 gatos e 2 cachorras).




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