A segunda city grrrl que convidamos para a Expo Blush foi Julia Shay. Fotógrafa, modelo e artista multidisciplinar, Shay se inspira no seu próprio dia a dia na cidade de São Paulo para criar. Amigas, experiências, festas, exposições, shows, correrias, roupas estilosas e a rua são presenças marcantes. Suas fotografias e trabalhos como modelo, que contam muitas vezes com intervenções escritas e desenhadas, capturam a essência de uma verdadeira city grrrl. Conheça aqui seus trabalhos e suas referências, ideias e inseguranças sendo mulher artista na cidade grande.

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Blush: Você se lembra quando e como veio o seu interesse por artes? Quais suas referências? Como foi a trajetória do seu trampo?
Julia: Meu vínculo com a arte é algo desde pequena. Sempre gostei de desenhar, recortar e pintar. Amava fazer cartõezinhos e desenhos para dar aos meus familiares. Adorava ir a museus e conhecer coisas novas; eu era aquela pessoa que ficava desenhando durante as aulas na escola. Minhas referências são as vivências; pego muita coisa folheando revistas, navegando pela internet, ouvindo artistas, qualquer meio de arte visual ou sonora. Aos 15 anos, comecei a trabalhar com pós-produção de fotografia com minha cunhada, que é fotógrafa. Nunca pensei em eu mesma virar uma; foi um processo natural. Fazia aquilo todos os dias; a arte sempre me acompanhou. Algo novo se apresentou a mim; comecei a querer experimentar por mim mesma e comecei a tirar fotos. Porém, sempre fui muito perfeccionista com minha arte e era muito insegura, então fui me aventurando pouco a pouco no mundo. Fui me jogando em experiências novas e fiz algumas coisas aqui e ali. Sinto que ainda continuo nessa jornada, mas agora mais livre.

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cybershot
Blush: Sentimos que o seu trabalho de fotografia é muito voltado para pessoas, festas, olhares, relações humanas… o que você mais gosta sobre isso?
Julia: Nunca parei para definir o que meu trabalho é, e é interessante e legal vê-lo sendo definido de tal forma. É engraçado, na verdade, porque sinto que tenho uma grande fobia às vezes de estar entre muitas pessoas, mas gosto da conexão; desafio-me de certa forma. São situações onde estou me divertindo ali com meus amigos e quero manter um registro. Situações em que fui chamada para trabalhar. É legal, gosto de conhecer gente nova, mesmo tendo pavor às vezes, mas gosto dessa conexão que isso me traz; tudo parece enorme e pequeno ao mesmo tempo.


fotografia analógica

fotografia analógica
Blush: Além das fotografias, vimos obras lindas em diferentes tipos de mídia! Conta para a gente como é seu processo criativo.
Julia: É difícil. Tenho ondas de inspiração; então, quando me bate uma, normalmente passo a madrugada toda fazendo algo. Pode ser que venha através de sentimentos, que é a maior parte, e a partir disso ouço uma música, uma letra com a qual me conecto, ou escrevo algo. Gosto de usar textos. Amo mesclar mídias; gosto de ver as texturas e as diferenças, e vou consumindo arte para me inspirar, e vou brincando; no final, sai algo. Ou às vezes, quando estou com a Becca, como no ensaio “What It Feels Like for a Girl” e “Trying to Survive”, simplesmente estamos juntas e nada é planejado, só acontece, bate algo na gente.

óleo sobre tela
Blush: A série de fotos ‘What It Feels Like for a Girl’ é tão bonita e sensível, e essa música nos toca muito também. Como é para você ser uma mulher no meio artístico, na cidade grande? Quem são as mulheres que te inspiram?
Julia: Acho difícil, como em qualquer outro lugar talvez. Sinto que tenho que me provar mais e não sou levada tão a sério. Tenho dificuldade em me impor, mas amo estar na cidade, um lugar cheio de gente e mulheres que sei que estão na mesma trajetória que eu e estão ao meu lado me dando apoio. Minhas referências são a Petra Collins, Julia Fox, Beabadoobee, Sofia Coppola (deve ter mais, mas não sei pensar de cabeça). Artistas que acompanho no Instagram e amigas minhas, como Laura Budin, Becca Zuccoli, Luisa Guerra, Catt (@catt_zc), Sabrina (@sina_estudio), Marina (@jesuimarina), Viviane Lee Hsu (@cyshimi) e Laura Brunato.
what it feels like for a girl
fotografia e colagem digital
Blush: Qual a sua relação com moda? Qual a influência dela no seu dia a dia?
Julia: Amo moda. Pós-pandemia, fiz 17 anos, e foi aí que comecei a conhecer São Paulo. O primeiro nicho em que me inseri foi o da moda; foi aí que conheci quase todos os meus amigos de hoje. Mas não diria que sou uma expert e sei de verdade sobre moda; tenho preguiça, admito. Apenas gosto de coisas bonitas, estranhas e divertidas, e gosto de me vestir assim no meu dia a dia. Afeta meu humor; preciso me vestir para me sentir eu mesma, preciso me arrumar para me expressar. Por isso, a moda é importante para mim.


Blommor
fotografia digital, polaroid, colagem digital
Blush: Por fim, sendo City Grrrl o tema desse mês, a gente queria saber como é sua relação com a sua cidade, o que você mais gosta? E o que NÃO gosta? Tem lugares preferidos?
Julia: Amo as coisas culturais; com certeza, é o que mais sinto falta quando não estou em uma cidade grande: variedade de museus, exposições, shows e cinema de rua. Amo, amo, amo! Amo ir em festas também, admito, ir em cafeterias, passar uma tarde trocando papo com uma amiga, jogar uma sinuca, rs. Adoro aqueles dias corridos na rua também. Não gosto muito de como a gente se acostuma a tratar as pessoas; isso ainda me afeta. Relações são meio complicadas. Meus lugares favoritos são o IMS, a rua Cardeal Verde, Copanzinho e a casa dos meus amigos. E isso de coisa favorita é muito difícil para mim.
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Acesse o perfil da Julia no Instagram para conhecer mais sobre o seu trabalho ˚ ༘♡ ⋆。˚











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