para esse diário visual, juntei fotos que tirei pelo bairro onde moro, durante minhas caminhadas
There’s a deal to be learned in a midnight walk
When you take it all alone.
If a gentleman’s with you, it’s talk, talk, talk.
You’ve no eyes and mind of your own.
But alone, in dark nights, when clouds have thickened
And you feel a little afraid
Your senses are all too supernaturally quickened
And you feel a little afraid
—Renée Bergland, “Maria Mitchell and the Sexing of Science”

por muito tempo me senti isolada por morar onde eu moro. enquanto minhas amigas moravam em áreas mais movimentadas e com coisas mais legais para fazer, eu me via um pouco distante- então, para me manter próxima delas, acabava explorando mais as ruas delas do que as minhas.
sempre morei aqui, e meu percurso normalmente se limitava de casa até a escola, até o mercado, o shopping, a pracinha e o metrô (que eu gosto de dizer que é perto, mas é uma caminhada de 25 minutos até lá).
ao crescer, descobri o conforto de explorar essas ruas familiares; calço meus sapatos mais confortáveis, pego meus fones e saio. e acabo pensando em tudo que tá errado. e, de uma forma bem mágica, tudo começar a fazer sentido. me pego pensando nas respostas que deveria ter dado numa discussão há 3 anos atrás, ou nas conclusões mais óbvias sobre as questões mais universais que têm me deixando aflita e sem conseguir dormir nas últimas noites. e fico boba com a beleza das luzes amarelas da rua contrastando com o céu do entardecer e com as pétalas vibrantes que cobrem as calçadas.
nessas noites, passei por ruas que nunca entrei a pé antes, lojinhas que os donos são amigos dos meus pais, vi pessoas, árvores, bares e as pracinhas – que normalmente são meu destino final. às vezes faço o mesmo percurso junto com meu pai e minha cachorra, a juno. ou levo minha irmã para sentar na praça e fazer tricô ouvindo música e bebendo alguma coisa. às vezes sou só eu e a lua (e alguns passantes).
eu aprendi a enxergar esses lugares com um certo encanto. e sinto tanta falta de não estar imersa nas minhas obrigações e ter tempo livre para passear pelas ruas ouvindo música, beber a água de coco do hortifruti da esquina e ficar com vontade de chorar quando um gatinho me segue até em casa.
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