“When you’re lonely and tired of the city
Remember it’s a flower, made out of clay
To the city
Where everything seems so ugly
When your sitting at home in self pity
Remember you’re just one more person who’s living there
It’s hard to live in the city
It’s hard to live in the city”
Ride into the Sun
Velvet Underground

Meu diário visual é sobre a experiência de frequentar brechós, mercados de pulga, antiquários, sebos, etc. Pra mim, encontrar um brechó no meio da rua é litúrgico, principalmente quando é por acaso. Transmite a mesma sensação de entrar em uma igreja no meio da cidade. Um espaço construído e canalizado para contemplação, como o garimpo: prestar muita atenção, olhar, procurar. Mas ao mesmo tempo a experiência de revirar coisas usadas é também se submeter ao acaso e descontrole, achar algo que você não sabia que estava procurando, tal como uma experiência espiritual. É uma prática que existe há muitos anos, em lojas físicas, e não mudou muito desde a sua criação, como as igrejas. Pode não ser uma experiência exatamente cosmopolita, mas é o que faz de mim uma City grrrl. Faz a vida na cidade, que pode ser muito difícil, ficar mais fácil e natural. Dá um sentido muito especial à relação com as outras pessoas que moram na cidade, de fazer parte de um ciclo que me conecta com os moradores que um dia viveram ou vivem naquela ou nessa cidade e abandonaram suas roupas, seus objetos, seus livros, mudaram de gostos, e resolveram que passariam uma parte deles pra frente, que é muito um resumo da cidade, sempre em movimento. Eu sempre contemplo o passado da minha roupa, o que o ex dono fez ou o que aquela peça significava pra ele, ou melhor o que fez a pessoa desistir dela. Como diz minha amiga Tilda, ela sempre se pergunta se a ex dona da roupa dela já passou por ela na rua. Um fluxo imaginário que une as pessoas, materializado por esses lugares muito especiais que faz a vida valer a pena.









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