Foi construída sem lugar para ratos. Toda uma parte nossa, pior, exatamente a que tem horror de ratos, essa parte não tem lugar em Brasília. Eles quiseram negar que a gente não presta.
Vou embora para os meus outros crimes, os que eu e Deus compreendemos. Mas sei que voltarei. Sou atraída aqui pelo que me assusta em mim. – Nunca vi nada igual no mundo. Mas reconheço esta cidade no mais fundo de meu sonho.
Fazem tanta falta cavalos brancos soltos em Brasília. De noite eles seriam verdes ao luar.
Nos primeiros começos de Brasília, Clarice Lispector

o tema desse mês na Blush me fez pensar especialmente sobre vida noturna e como é ser uma garota à noite na cidade. apesar de Brasília ser conhecida por não ter muito o que fazer, as noites daqui sempre me intrigaram…
os passeios de carro observando as construções – pra sempre intrigantes, os horizontes intermináveis, as ruas do lago norte com aura de mistério na madrugada, as comerciais vazias e desertas, as caminhadas solitárias e silenciosas nas ruas (mal) iluminadas por postes amarelados, o setor comercial, a esplanada, a rodoviária, a sujeira e a limpeza, as estradas vazias de madrugada com poucos carros e sinais intermitentes,
Brasília à noite é o medo de uma coisa misteriosa que nunca chega a acontecer.

o que completa essas noites são minhas amigas, e poder contar com elas pra contemplar esse mistério. as músicas, as bebidas, os looks, os flashes, as risadas, as conversas profundas no uber voltando pra casa, as conversas fúteis no uber indo pra festa, os beijos, as danças, os abraços, os choros, o mc donalds 24h, os passeios de carro, a sinuca, o vinho, a cerveja…
a noite faz muito mais sentido quando estamos juntas.
(especialmente depois de algumas doses duplas de caipirinha)




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