Como somos criaturinhas cheias de Amores, Desejos & Obsessões, nosso compilado de mídias de Junho conta com produções que fazem nossos corações baterem mais forte, suspiros saírem de forma leve e despercebida dos nossos corpos e pensamentos surgirem em forma de coração. E, também, com filmes, livros, músicas e poemas que nos fazem pensar sobre a complexidade dos nossos desejos. Ou que nos lembrem de nossas próprias obsessões, das quais não conseguimos e nem queremos nos livrar.

Se nos dessem o desafio de não pensar em músicas apaixonadas, nós falharíamos fatalmente – a playlist deste mês é a maior de todas que já fizemos.
Ouça aqui nossa coleção sonora cheia de yearning, paixão, romance e tesão! ˚ ♡ ·˚ ₊˚ˑ༄ؘ

Dressa:

your loves whore – wolf alice
archie, marry me
sea of love – cat power
pink in the night – mitski
drunk text romance – cyberbully mom club
the book of love – the magnetic fields
heavy water/i’d rather be sleeping – grouper
everyday – weyes blood
the first taste – fiona apple
the only thing – sufjan stevens
love song – lana del rey
maps – yeah yeah yeahs
i want you – mitski
crush – ethel cain
when you’re smiling and astride me – father john misty
falling in love again – joyce manor
don’t delete the kisses – wolf alice

Catarina:

venus as a boy- björk

minha festa – nelson cavaquinho

flower – liz phair 

true love leaves no traces- leonard cohen

sea of love – cat power

arco-íris- beth carvalho

make you feel you love- bob dylan

Gabi:

crushing – eartheater

cavalgada – roberto carlos

cavalo – noporn

cum – brooke candy (part. iggy azalea)

drivin’ on 9 – the breeders

venice bitch – lana del rey

tua boca (part. as orquídeas do brasil) – itamar assumpção

erotica – madonna

cocoon – björk

addicted to love – sonic youth

tender – blur

i’m your man – leonard cohen

deus tesão – sophia chablau e uma enorme perda de tempo

take me to the river – talking heads

dance like u – okay kaya

rapaz – rita lee

sex – the dare

dois animais na selva suja da rua – erasmo carlos

cornerstone – arctic monkeys

the last time i saw richard – joni mitchell

give you my lovin – mazzy star

amante amado – jorge ben jor

anything we want – fiona apple

na cama – angela roro

run away with me – carly rae jepsen

i don’t smoke – mitski

let’s make love and listen death from above – css

flerte revival – letrux

sua estupidez – gal costa

Jejé:

warm blood – carly rae jepsen
valentine – fiona apple
chateau lobby #4 (in C for two virgins) – father john misty
olivia – one direction
geyser – mitski
jóga – björk
if it’s alive, it will – angel olsen
cubicles – mcr

Jul:

delicia/luxuria – sophia chablau e uma enorme perda de tempo

dying for it – the vaselines

sugar on my tongue – talking heads

strange powers – magnetic fields

do you love me? – nick cave

i love you – beat happening

leave me with the boy – marine girls

a case of you – joni mitchel

ator – hektor

all mine – portishead

rid of me – pj harvey

hardly ever smile – poison girlfriend

hey, that’s no way to say goodbye – leonard cohen

escola em luto – wilson simonal

wish fulfillment – sonic youth

i don’t wanna get over you – magnetic fields

star bellied boy – bikini kill

picture me gone – ariel pink

symbol – adrienne lenker

Lua:

Honey, Honey – Abba

Lucky Girl – Fazerdaze

From The Start – Laufey

You Are the Apple – Lady Lamb

First Love/Late Spring – Mitski

Hannah Hunt – Vampire Weekend

Free Treasure – Adrianne Lenker

Ivy – Taylor Swift

I Will – Mitski

Till Death – Japanese Breakfast

Kokomo, IN – Japanese Breakfast

While You Were Sleeping – Laufey

Futile Devices – Sufjan Stevens

No Hard Feelings – Wolf Alice

Your Best American Girl – Mitski

ur so pretty – Wasian Project

Harvey – Her’s

Welcome To My Island – Caroline Polachek

Diana – One Direction

Mystery of Love – Sufjan Stevens

Posing for Cars – Japanese Breakfast

Sofia:

Para Ouvir No Rádio- Jorge Ben Jor

Things I’ll Never Say- Avril Lavigne

Oh to Be in Love- Kate Bush

⁠(They Long To Be) Close To You- Carpenters

⁠Misty- Lesley Gore

It’s Oh So Quiet- Björk

⁠I only want to be with you- Tommy February6

⁠l Live for Love- Daniel Johnston

⁠The Way I Feel Inside- The Zombies

Here, There And Everywhere- Beatles

The Very Thought Of You- Nat King Cole

⁠This Must Be the Place- Talking Heads

Tema De Eva- Evinha

Fever- Madonna

⁠Big Time Sensuality- Björk

⁠Fissura- Rita Lee, Roberto De Carvalho

⁠Só Você- Vinicius Cantuaria

⁠He Needs Me- Shelley Duvall

⁠First Love Never Die- Soko

Preciso Dizer Que Te Amo- Cazuza, Bebel Gilberto

⁠I Do, I Do, I Do, l Do, I Do- ABBA

⁠Lovers (Live A Little Longer)- ABBA

⁠Love’s Theme- The Love Unlimited Orchestra

Something About Us- Daft Punk

⁠God Only Knows – The Beach Boys


Dressa

69 Love Songs

The Magnetic Fields

(1999)

Um álbum de três horas de duração que cumpre o que promete: oferecer 69 músicas sobre amor, e o faz muito bem. As letras alternam entre o desespero e a esperança, e é grandioso e exagerado como o próprio amor. Me consolou nos dias em que me senti perdida e me acompanhou nos meus momentos mais bobinha. Eu gosto dele porque fala numa linguagem simples e que entendo bem: é bem-humorado e radiante, um tanto depressivo e melancólico, e completamente entregue ao sentimento.

Faixas que eu ❤️: The Book of Love, All My Little Words, Let’s Pretend We’re Bunny Rabbits, I Don’t Wanna Get Over You e I Think I Need a New Heart

Paixão Simples

Annie Ernaux

1992

Conheci a obra de Annie Ernaux no ano passado, e o tom íntimo e honesto de seus livros me encantou; passei o ano lendo um seguido do outro. Baixei o PDF de “Paixão Simples” e, no primeiro parágrafo, percebi que era algo com o qual eu ia me identificar e que precisava ter a melhor experiência possível para essa leitura, então comprei uma cópia física. O livro é curto e Ernaux conta, como uma confissão, a experiência de se apaixonar por um homem casado. O dia só acontece em função dessa paixão – tudo é cronometrado pensando em seus telefonemas e visitas; seu tempo livre agora existe apenas para pensar nele. É um livro ansioso; uma ansiedade que conheço muito bem e a única que já gostei de sentir – de correr para comprar roupas e calcinhas novas antes do encontro, para arrumar a casa, para fazer algo gostoso para comer e fingir que não foi nada. E qualquer pessoa ou evento que não seja esse amor é só uma inconveniência. A paixão simples é avassaladora e brutal e dolorosa, e te vira ao avesso e te faz agir de uma forma totalmente desconhecida por você mesmo; e essa é a conclusão final do livro – há um autoconhecimento que você só experiencia quando vive uma relação íntima com alguém.


Catarina

In defense of feeling.

Gordis, M.

(2024, May 1)

leia aqui: https://dirt.fyi/article/2024/05/in-defense-of-feeling

Uma transformação cultural muito severa e bem influente hoje é a militarização das relações, mais especificamente no começo delas. Se ele quisesse ele te mandaria mensagem, se respeitar, impor limites, ter amor próprio. São regras que procuram de certa forma controlar os resultados de uma relação, para em última análise evitar o sofrimento, evitar o erro, evitar o descontrole emocional, e viver relações e conexões mais regradas. Eu sempre procuro literatura e ensaios sobre esse tema que me interessa muito, e o texto In defense of feeling, da Miriam Gordis trata disso de uma maneira muito especial que eu venho tentando articular ou achar em um texto há algum tempo. Ele me impactou particularmente e explica muito bem o que significa essa militarização tão presente nas gerações atuais, ou em qualquer geração, mas que tenta achar o amor hoje.

Pink Narcissus

James Bigdod

1971

Pink Narcissus é um filme consagrado no cinema independente e experimental, tendo sua autoria como um mistério por muitos anos. A narrativa é construída baseada no mito de Narciso. Eu assisti esse filme recentemente e fiquei extremamente fascinada por que retrata exatamente meu cérebro e o meu Eu quando estou sendo vítima das minhas obsessões amarosas e paixões avassaladoras, que na verdade, eu desejo mas eu também sou o objeto de desejo, do meu próprio desejo. Mas também é um desejo que não deixa de admirar o objeto externo de uma forma muito pura que prioriza a idealização, não de uma forma negativa, mas uma devoção e amor incondicional, que começa em você;

 “The choice of object always depends on the personal taste of the subject… nothing about her would force our choice if she did not somehow touch our inner being”

George Bataille, Erotism. 

A beleza brilhante e o aspecto manual do filme, com as borboletas que tem uma aparência de papel machê e a cenografia kitsch, transmitem uma sensação muito especial, um mundo novo que so é possível se você se entregar ao seu desejo e deixar ele te comer, de todos os jeitos. 

The Succubus

Annette Peacock

I dont need to take valium or opium to know how it feels to leave you

Essa música é extremamente necessária se você está passando por uma obsessão e não quer para-lá, mas sim honrar e permitir que sentimento se instale nas suas entranhas. 


Gabi

Romance

Catherine Breillat

1999

“O filme é uma história de amor. E, no final de tudo, o sentido pertence ao diretor. Eu não podia aceitar os personagens masculinos como eles são mostrados no filme, a serviço da libertação de Marie. Eles não são desenvolvidos, servem apenas a um ponto de vista feminino do filme. Mas eu tinha de ver Marie como alguém que acredita no amor mas não consegue se libertar para vivê-lo sem os jogos de poder.”

-entrevista com a atriz Caroline Ducey

Não consigo dizer que tenho só um filme favorito da Breillat e nem que tenha um que seja o “mais importante”, quis trazer esse porque acho que é o que mais diz coisas sobre tudo que ela sempre diz: mulheres e suas relações com o sexo, o corpo e os homens, e sobre o desejo e a culpa que nos acompanham em tudo isso.

Mau Comportamento

Mary Gaitskill

1988

Ganhei esse livro de presente de aniversário esse ano (principalmente por causa do conto Secretária, que inspirou o filme de mesmo nome). O que eu mais gosto nesses contos é da forma como Gaitskill escreve e pensa – e da tradução, que tem muita personalidade. As histórias sempre contam de alguma questão sexual tida como moralmente inadequada com personagens socialmente desajustados. Não é como se não existisse moral ou pudor, e sim como se houvesse uma luta constante contra desejos nojentos e aversivos, que ao mesmo tempo são tão humanos.

o small sad ecstasy of love – anne carson / you do not have to love me – leonard cohen / the boys i mean are not refined – e.e. cummings

p.s. clicando nas imagens você consegue ler em tela cheia!

is somebody gonna match my freak?

Esse mês fiz uma listinha (em outro post) de filmes pra assistir em dates que certamente vão provocar um “”clima”” e fazer vocês descobrirem ~algumas coisas~ sobre os desejos um do outro…
Você pode conferir a lista clicando aqui ou no título ;*


I want to tell you this story without having to confess anything,
without having to say that I ran out into the street to prove something,
that he didn’t love me,
that I wanted to be thrown over, possessed.
I want to tell you this story without having to be in it:

debati comigo mesma se incluiria esse livro nas recomendações deste mês – às vezes sinto a necessidade de “guardar” certas mídias para outros temas futuros que se encaixem melhor. quando li Crush (2005, Richard Siken) pela primeira vez, já sabendo que foi escrito após a morte do namorado do autor, enxergava luto em todo lugar. mas há outros temas extremamente recorrentes nessa coleção – obsessão, paixão, amor que transcende a fome. mesmo que não esteja acostumado a ler poesia, você sente que esses poemas irão salvar sua vida, e de certa forma eles irão. eu sei, pois parece que até hoje sinto o mesmo aperto e exasperação, senão mais profundo- já dormi com este livro debaixo do travesseiro, levei-o em minha bolsa para todos os cantos da cidade, sublinhei e decorei pelo menos metade – ainda sinto o desespero, a intensidade, o querer tanto algo ou alguém que você sente nos seus ossos, ou preso na sua garganta. acho que nunca fui tão viciada em reler o mesmo conjunto de palavras, em falar elas em voz alta, sussurrá-las para mim mesma quando preciso, descobrir novos significados. lembro de ir no quarto da minha irmã no outono de 2021 e pedir para ler alguns versos para ela, queria convencê-la de que era o melhor objeto que já segurei em minhas mãos. 

“Dirty Valentine”

Louise Glück menciona na introdução a palavra pânico para descrever Crush. há uma voz ali que implora por amor, por um lugar seguro, mas se depara com sua autodestruição, com questões mais complicadas que só amor. as incertezas, a violência, algo que poderia ser doce e simples, mas não é, a compreensão de que não há para onde fugir. 

I never liked that ending either. More love streaming out the wrong way,
and I don’t want to be the kind that says the wrong way.
But it doesn’t work, these erasures, this constant refolding of the pleats.
There were some nice parts, sure,
all lemondrop and mellonball, laughing in silk pajamas
and the grains of sugar
on the toast,
love love or whatever, take a number. I’m sorry
it’s such a lousy story.

”Litany in Which Certain Things Are Crossed Out”

é uma história contada em 3 partes, e é ideal que seja lido em ordem. eu poderia colocar aqui mais alguns trechos, mas seria um desserviço, prometo que é melhor apreciado por inteiro. minha cópia foi comprada na amazon, mas disponibilizo aqui um pdf para quem se interessar.


Jul

  • EP: Angel Olsen – Strange Cacti

Spotify

Esse EP é o debut da Angel Olsen, ele atinge um lugar muito sincero e vulnerável do meus sentimentos amorosos e obsessivos, existenciais… É um pico emocional descontrolado, isolamento desesperado, misticismo e esperanças.

  • Album: Best Coast – Crazy for You

Spotify

Pra mim, esse é o álbum mais gostosinho sobre amores e corações partidos que existe, aborda dependência emocional, inseguranças, partidas, tudo de um jeito meio adolescentezinho, leve, bobinho…

  • Filme: A Mulher Que Inventou o Amor

“Tem uma frase que diz que o amor romântico foi inventado para manipular as mulheres e acredito que todo esse significado se encaixa perfeitamente no filme, que é extremamente inteligente em suas críticas de construção da sexualidade e do desejo feminino. Desde a formação da ideia de amor romântico, passando pela ruptura do idealismo intrinsecamente patriarcal e reconfigurando novos fetiches e formas de amar através de um empirismo brutal. É violento e nos instiga a repensar como, porque e com quem transamos. Qual é a instituição que molda nossos desejos e nos diz como amar. Doralice de fato inventou e reinventou o amor tantas vezes que mal pude contar.”
– minha amiga querida Zoe Masan que disse isso,
no Letterboxd 


Lua

  • Tudo sobre o amor: novas perspectivas, bell hooks – livro, 2000

“Quando escolhemos amar, escolhemos nos mover contra o medo – contra a alienação e a separação. A escolha por amar é uma escolha por conectar – por nos encontrarmos no outro.”

Quando li Tudo sobre o amor, tinha acabado de conhecer uma paixão que nunca tinha sentido antes, então ler a perspectiva da bell hooks sobre amor e afeto foi simultaneamente muito gostoso mas também muito intenso. Muitas partes desse livro ainda martelam na minha cabeça – o amor em construção de comunidades, como comunidades são resistência e fortalecem o amor próprio, o amor como uma ação e não apenas um sentimento, entre muitas outras coisas que infelizmente não consigo me lembrar mais (faz muito tempo que li).

Anos depois de ter lido esse livro, agora tenho também outras perspectivas sobre o amor que não só diferem um pouco das que eu tive quando li pela primeira vez, mas também não noções mais maduras das que eu inicialmente carregava. Acho que isso o torna digno de uma releitura com essa nova cabecinha que se formou.

  • Descolonizando Afetos, Geni Nuñez – livro, 2023

“Mas, para além disso, quais outras formas de comprometimento podemos criar, cultivar, exercitar? Penso que incentivar a autonomia, o trabalho coletivo redistribuído, o suporte e o amparo na vida são possibilidades.”

Engoli esse livro no último feriado com muito gosto, apesar de quebrar muito a cabeça. Repensar e refletir sobre afetos é uma coisa muito libertadora ainda que trabalhosa. Geni tem uma escrita convidativa, com muita sabedoria mas também acolhimento já que olhar pro amor além de suas noções e práticas românticas e de posse é um exercício difícil. Como uma viciada em amar e mulher que ama demais, sinto que esse livro me deu ferramentas pra amar ainda mais e de forma mais tranquila e consciente sobre meus sentimentos e de onde eles vêm.

  • Bewitched Goddess Edition, Laufey – álbum, 2024

I can’t quite believe you think I’m beautiful
Must be a trick, a, “Tag and you’re it”, kind of foolery
Then you take my hand, kiss me on the cheek
A light pink bouquet, a promise you’ll stay
And I start to believe

Uma misturinha deliciosa de jazz com pop com bossa nova com paixão, amores não correspondidos, coração partido, auto-reflexões, desejos, amores apaixonantes e promissores – esse álbum é uma das coisas mais românticas que já ouvi nos últimos tempos.

Confessional, muito doce e elegante; toda vez que eu dou play nessas músicas eu sinto que a Laufey está no meu ombrinho e estamos tendo uma conversa de amigas, mas também sinto que estou assistindo um filme de mexer com o coração, que me quebra e me conserta logo em seguida. Me vejo tanto nesse álbum ao mesmo tempo em que não sei se seria capaz de juntar tantas coisas lindas, puras e sinceras de forma tão coesa e bem caprichada.

Minhas favoritas: Dreamer, While You Were Sleeping, California and Me, Letter To My 13 Year Old Self, From The Start e Goddess


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