oie! como prometido, voltamos hoje com as perguntas que vocês nos fizeram no Ask Blush desse mês (a primeira parte, com as respostas de vocês, ficou aqui). recebemos muitas perguntas voltadas para o tema do mês – amores, desejos & obsessões – e nos sentimos numa festa do pijama pensando em respostas boas para elas; falamos sobre primeiros beijos, feminilidade, autoestima, almas gêmeas… até sobre trabalho presencial (ew!)

esperamos que essas respostas possam ajudar de alguma forma, mesmo que só provocando uma risadinha para distrair o coração. ❤

atenção: somos jovens-meninas-mulheres exatamente iguais a vocês que acompanham a gente, então não esperem respostas muito formais e cheias de seriedade; não garantimos resolver todos os seus problemas. mas a gente tenta um pouquinho. estamos aqui para trocar ideia, compartilhar experiências e encontrar um pouquinho de conforto na internet.

“Como eu conto pro meu namorado que eu quero abrir o nosso relacionamento? #bratsummer”

— anony

gabi: dá um jeito de fazer um ménage com ele primeiro pra ele ver o que é bom…

julia: 👆

julia: acho que o método da gabi seja mais efetivo mas é bom sondar antes da proposta, pensar em como defender sua ideia e motivos de um jeito pacífico (e criar acordos principalmente)


“nunca beijei nem flertei com nenhum menino (sou hétero) porque tenho muita muita vergonha só de pensar sinto vontade de chorar me sinto com 13 anos que horror”

— anony

lua: eu Entendo…  demorei pra começar a Beijar também e sei muito bem como é ter vergonha. acho que o melhor jeito de contornar essa vergonha é não se forçar a situações que você sente que vai se arrepender (relato pessoal: uma vez me deixaram muito desconfortável numa festa porque queriam ficar comigo e eu poderia ter dito sim só pelo beijo mas que bem me faria sendo que eu já tava me sentindo acuada e mal desde o início). arrependimento pode acontecer e tá tudo bem mas entenda seus limites antes de tudo, tá?

dar primeiros passos e tomar iniciativa são sempre coisas difíceis, ainda mais quando nos sentimos “atrasadas”, mas no final do dia o seu tempo vai ser seu tempo e tá tudo bem chorar e ter vergonha. esses sentimentos vão vir a qualquer momento mesmo. e espero do fundo do meu coração que essa vergonha não te roube tempos da sua vida te fazendo pensar coisas ruins sobre você… viver assim é cansativo e posso te garantir que não tem nada de errado com você e que um dia essa vergonha vai dar lugar a sensações muito mais legais e divertidas!

dressa: então… Eu comecei a beijar na boca com 15 anos, já achando que estava “atrasada”, o que é insano quando paro para pensar sobre isso hoje em dia. Antes disso, na escola, só se falava sobre isso; Meus amigos e colegas de 13 e 14 anos estavam sempre comentando sobre quem ficou com quem nas festinhas, e quando alguém era questionado se era BV, todo mundo sempre tinha na ponta da língua uma lista de nomes de quem beijou. Eu não sabia mentir e falava que era BV mesmo (e anos depois descobri que era tudo mentira! Eu fui a única menina corajosa e honesta naquela sala que não inventou um menino misterioso que morava longe e ninguém conhecia…).

Eu estava sempre fugindo de meninos que queriam ficar comigo, mesmo quando eu gostava deles. Tinha um colega que sempre conversava comigo pelo Facebook, e eu adorava falar com ele também. Mas só de vê-lo pelos corredores da escola eu ficava passando mal de nervoso, e quando chegou o dia em que ele me chamou para sair, eu só dei ghosting nele. Tinha medo de conversar pessoalmente, medo de não saber agir, medo de beijar mal e ele contar para alguém. Tudo que podia dar errado, eu tinha certeza de que ia acontecer, e era melhor eu só fugir.

Uns anos depois, não sei o que aconteceu; ou foi FOMO ou foi apenas um momento mágico de autoconfiança. Eu estava superando a puberdade, e agora gostava dos meus cabelos e das minhas roupas, pegava o metrô com minhas amigas para explorar novos cantinhos da cidade. Foi num sarau de uma escola bem distante da minha quando uma menina chegou em mim e disse que queria me beijar. Eu me tremi muito e sinto que fiz tudo errado, mas me entreguei ao momento e aconteceu. E foi meio estranho, mas estava aliviada que superei esse meu medo de dar beijinhos. Depois disso, aconteceram algumas vezes de quererem ficar comigo e eu fugir, igual fazia antes. insistindo em superar esse medo, me botei em situações em que fiquei com quem eu não queria (não sabia dizer não, não resistia a pressão dos outros, eu mesma me pressionava etc). Hoje, quando alguma colega da faculdade me conta que só beijou depois de adulta, eu genuinamente acho meio incrível não ter se entregue a toda essa maluquice da adolescência, porque não faz sentido nenhum. e acho muito charmoso quem respeita os próprios limites e não faz o que não sente vontade de fazer.

Enfim, meu conselho seria não se forçar a ficar com quem você não quer e tentar entender mais específicamente quais são seus medos em relação a isso. Talvez a melhor forma disso acontecer seja treinando com um amigo ou amiga (igual fazem em filmes ;p), ou numa festa com um desconhecido que você nunca mais vai ver na vida (ouço muitas histórias de primeiro beijo assim), ou até esperar encontrar alguém por quem você goste e sinta conforto em se abrir sobre isso. Não é tão sério assim, por mais que nossa cabeça faça parecer que é o maior problema do mundo. A ideia dessa reflexão é transformar esse medo em curiosidade… Beijar e flertar pode ser bem divertido – não precisa ter compromisso, só papinhos e passeios e mensagens de madrugada. já tive beijos ótimos e beijos péssimos, que me fizeram voltar para casa cheia de vergonha – e é importante se dar espaço para experienciar tudo isso sem julgamentos vindo de si mesma. todo mundo que passou por essa situação sobreviveu, e ainda teve história para contar para as amigas depois. mesmo não te conhecendo, acho que você merece se divertir também!

eu x meninos no fundamental

“não sei se sou a única que até hoje se sente assim, meio deslocada desse mundo onde as garotas saem pra dates, se arrumam e se sentem bem amando essas pessoas que conhecem. nunca pude sentir isso, e é até meio constrangedor às vezes expor isso. nunca me senti bonita e por conta disso (e outros motivos), achava que por ninguém se interessar por mim, não merecia sentir nada disso e até era melhor eu estar sozinha. não sei se um dia vou me sentir bem com alguém, até hoje é um mistério pra mim. não me acho também feminina o suficiente.  é normal se sentir assim? todo mundo se sente assim em algum momento da vida?”

— anony

lua: puts já passei tanto tempo remoendo meus pensamentos sobre essas coisas… minha adolescência se desenvolveu em torno do sentimento de que ninguém nunca me desejaria e teria que me contentar com amores não correspondidos. achei que nunca experimentaria também o sentimento de ser desejada, de ser querida e isso fez com que eu me sentisse feia e não feminina o suficiente também. achava que seria impossível me sentir amada e em sentir bem com alguém (mesmo sendo algo que eu queria muito!). não consigo te afirmar que isso é algo que todo mundo passa, mas te garanto que você não é a única e que você não deixa de ser normal por ter esses sentimentos. 

acredito também que a gente busca muitas respostas em dating culture, relações românticas e o amor romântico porque ele é vendido como o grande prêmio que vai curar todo o mal dentro de nós, e isso rouba a nossa atenção de nutrir outros laços de afeto (com nós mesmas, amigos, lazeres etc) e acabamos nos sentindo muito infelizes e sem propósito quando não encontramos interesse e “preenchimento” nessa área romântica das nossas vidas quando na verdade às vezes agora não seja a hora que você vai encontrar felicidade no romântico, o romântico talvez não seja algo que vá te fazer feliz. e tá tudo bem. 

não acho que existe uma fórmula mágica capaz de resolver todas essas questões, tudo tem nuances, tempos e circunstâncias diferentes. hoje tenho mais clareza (e apoio) pra enxergar que passei muito tempo da minha vida nutrindo pensamentos muito negativos sobre eu mesma por ter demorado a encontrar disposição, reciprocidade e felicidade em relações românticas, em vez de apenas viver em paz comigo. se eu pudesse me dar um conselho pra luana daquela época seria com certeza tentar ter dias mais leves do meu próprio julgamento e enxergar prazer e sensações boas além de expectativas que no momento eu não tinha como suprir. 

eu tenho muitos pensamentos sobre esse assunto e sinto que usei todos os meus neurônios em suas capacidades máximas para tentar articular tudo de forma sucinta mas que ainda contemple tudo que eu queria dizer. 

fique bem e espero que essa respostinha (posso ser muito prolixa às vezes) te traga um conforto ou um pouquinho de luz, por menor que ela possa ser. 。.。:∞♡*♥


“como vocês superam um relacionamento muito intenso… vocês acham que existe um tempo para isso? qual a melhor forma?”

— anony

Catarina: Eu recentemente destruí na minha cabeça a ideia de que o tempo cura tudo, porque em certas situações (principalmente relacionamentos (principalmente os intensos)) sentimentos muito ruins podem vir beeem de lá do fundo e ficarem na ultra superfície, e apesar do tempo certamente ajudar, ajuda mais com aceitação. Aceitar é muito importante, mas também é preciso entender esses sentimentos e a literalidade deles e realmente sentir eles. É um processo e um aprendizado realmente sentir e tentar entender os seus sentimentos, e é necessário. Fora isso, é um dos problemas mais injustos que pode acontecer, porque não tem muito o que fazer, além disso que eu disse, e sim, o tempo, mas o tempo sozinho não. Mas também, não é culpa sua se você não conseguir entender os seus sentimentos, não existe maneira certa e claro que é uma coisa extremamente única pra cada pessoa. Cada um cria os seus próprios signos e códigos depois de um rompimento abrupto que mexe com sua realidade de forma profunda, e aí você cria seus próprios métodos de superação sem perceber. Então, resumidamente, a melhor forma seria tentar fazer esse trabalho de processar os sentimentos e criar uma nova realidade sentimental/psíquica sem esse relacionamento.

Gabi: eu não sei qual seria a resposta certa pra isso no sentido de se existe uma forma de “superar” completamente um relacionamento. eu sinto que os efeitos que esses relacionamentos intensos tiveram na minha vida vão existir pra sempre dentro de mim de alguma forma, e isso se mistura continuamente com a maneira que eu aprendo a viver minha própria vida, sozinha e em outras relações. mas, dito isso, pelo menos superficialmente(?) falando, o que eu gosto de fazer é sofrer muito intensamente enquanto eu sentir necessidade, até que o sofrimento fique insuportável e paralisante demais. quando chega nesse ponto, eu normalmente tendo a buscar coisas que me distraiam daquilo, que me façam pensar em outras coisas, que me façam lembrar que existem outras coisas na minha vida e no mundo. qualquer coisa, amizades, livros, filmes, lugares novos, comidas, até sexo casual… nem sempre é linear assim, às vezes passa de um pro outro no mesmo dia e dura por um ano (ou mais), mas acho que esse sempre tende a ser meu conselho, lembrar que existem mais coisas na vida além desse relacionamento. aos poucos essas coisas novas (ou antigas que você esqueceu durante o relacionamento) vão ganhando espaço no seu coração e a vida fica boa de ser vivida de novo.

dressa: não acho que existe uma forma certa de fazer algo desse tipo. quando aconteceu comigo, foi com meu primeiro relacionamento, que era muito ruim mas que eu acreditava ter algo especial ali – eu estava deslumbrada por ter encontrado alguém que me entendia de tal forma e que fazia questão de passar tempo comigo. e isso já era suficiente para eu achar que era o único relacionamento que eu ia ter na minha vida e que eu não encontraria ninguém no mundo que alcançasse aquele nível de entendimento. com isso, deixei passar muitos abusos. foram muitos términos até chegar no meu limite, mas depois que acabou eu senti que podia fazer o que quisesse da minha vida – tinha um buraco tão grande – que antes era lotado de ansiedades e medos e a vida de uma pessoa que não era boa para mim – esperando para ser preenchido. eu tinha 20 anos e parece que foi ali que comecei a virar eu mesma. depois do sofrimento intenso com direito a muitas músicas tristes e chororô e terapia, comecei a sair mais, falar com mais pessoas, produzir mais arte (era uma atividade prazerosa e fazia eu me sentir mais próxima das pessoas… além de render elogios num momento de ego pisoteado). e não existe um tempo certo para isso; esse processo de ‘cura’ foi bem bagunçado e nada linear, como a gabi falou ali. mas acho que é importante aproveitar esse momento de liberdade para fazer o que quiser sem precisar dar satisfação para ninguém ou sentir pressão para se encaixar nas expectativas de alguém… (digo isso sem assumir que foi um relacionamento ruim – essas coisas acontecem naturalmente, em um certo nível, quando estamos apaixonadas!)

com o tempo tudo começa a fazer sentido.


“vocês acreditam em alma gêmea?”

— anony

gabi: acredito que existe mais de uma pessoa que a gente encontra ao longo da vida meio que por acaso ou ação do destino. tô sempre pensando nos vários caminhos que tive que seguir pra conhecer as pessoas que amo no determinado momento que as conheci. é impossível pra mim não achar que a gente foi feitos pra se conhecer, de certa forma. mas acho exagero/impossível dizer que só existe uma pessoa no mundo que seja “igual” a nós, ou feita sob medida pra gente, e que isso faça sentido pra sempre.

lua: concordo muito com a gabi. para complementar, hoje em dia não sei se alma gêmea é algo que eu penso muito. o que mais tenho atualmente é a sensação de que eu nasci pra amar as pessoas e as coisas que eu amo. pensar em circunstâncias que levaram ao nosso encontro é muito bom e divertido mas tem sido mais legal ainda jogar videogame com o meu irmão e pensar que nascemos pra ser irmãos mesmo, sair e comer comida gostosa com meu namorado e pensar que nasci pra amar e ser amada por ele, ter conversas malucas com os meus amigos e pensar que a gente nasceu pra estarmos um na vida do outro, ouvir um álbum da laufey e pensar que eu tô no mundo pra ouvir essas músicas, ter minha cachorra deitando a cabeça do meu colo e sentir que eu vivo pra ver isso todo dia. a lista meio que não tem fim. 

sofia: Eu acredito e não acredito. Não acho que exista só uma pessoa certa pra cada pessoa, é meio ingênuo pensar assim, apesar de que o amor te deixa um pouco ingênuo mesmo… Não sei se acredito em alma gêmea como uma coisa sobrenatural que se repete de outras vidas, mas com certeza acredito que existem pessoas que “foram feitas umas pras outras”. É muito difícil permanecer cética nesses assuntos do amor, principalmente depois que você encontra alguém que combina tanto com você que chega a ser inacreditável. Não sou muito religiosa mas o amor é um tópico que me deixa um pouco mais emocionada do que todos os outros, por isso a gente fica um pouco mais condicionada a acreditar nessas coisas que aparentam ser meio bobinhas, e acho que isso faz muito bem pra gente.


“o que vocês acham sobre trabalho presencial?”

— anony

lua: não sou fã ! sinto que foco muito mais no meu cantinho sem precisar me programar pra sair ou voltar

dressa: acho o modelo híbrido o mais slay de todos… para mim não tem nada melhor que trabalhar em casa, sem perder tempo em ônibus lotado, sem ter que me forçar a ser extrovertida, sem me preocupar com o que vou vestir… mas, de vez em quando, acho até divertido ter essas preocupações; até gosto de socializar e até gosto de ter uma rotina, mesmo que tenha que lidar com alguns perrengues… resumindo, só é legal quando tô inspirada (1x na semana) ;p

gabi: esses dias trabalhei de casa pela primeira vez no estágio e foi a melhor coisa, trabalhei muito melhor no meu próprio fluxo e no meu notebook. mas acho que enjoaria rápido de não sair de casa… ao mesmo tempo tb to muito enjoada de ter que ficar saindo meia hora antes de casa, de chegar nesse escritório deprimente e gelado, pra usar essa cadeira e esse computador horríveis… além de que, tem dias que eu venho pra ficar fazendo nada aqui, acho muito sem noção esse modelo de trabalho e obviamente preferia estar em casa, não faz sentido nenhum -.- acho que o ideal seria um escritório menos detestável (não sei se existe), ou então um emprego mais dinâmico.

julia: é bom só quando você tem escolha de ir. como moro longe e meu escritório fica num lugar muito viável, gosto de ir quando tenho algum compromisso pela cidade… às vezes é bom ver o mundo girando, ter contato mais direto com as pessoas do seu dia-a-dia, romantizar a saída pra pegar um cafezinho, e no final do dia, quando pega o trem lotado, lembrar de agradecer que você tem um trabalho home office. a maioria dos dias eu prefiro estar na minha casinha.


“se eu realmente lembro da verdade”

— anony

dressa:

até a próxima! :*

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