é impossível para mim conseguir falar sobre a minha arte sem falar sobre mim. nunca levei isso como uma carreira, nunca levei a sério… minha produção só existe quando sinto coisas que me direcionam (me levam flutuando e soltando glitter) até minha mesinha.
por isso, tenho medo desse ser o pior post da história desse blog !! que horror que é se mostrar para o mundo!


chuva de verão em 2020: me mudei de apartamento e, pela primeira vez na minha vida, tenho um quarto só para mim. tive que improvisar na decoração com cacarecos da minha vovó para tentar dar vida àquele espaço tão </3. mas ela tinha bom gosto, então ficou bem fofo. nesse final de tarde, ouvi música e desenhei pela primeira vez depois de um bilhão de anos, e me senti bem satisfeita com as feiurinhas que rabisquei. decorei minha parede com essas meninas-ninfas-fadas e parecia que tinha redescoberto algo que esqueci na infância.



o começo da minha vida adulta foi uma fase confusa. eu queria explorar o mundo e me encaixar em lugares e grupos novos. eu até achei um espacinho para mim, mas tive que perder um tanto de inocência, minhas esquisitices, as coisas que amo e o brilho no olhar… então… não foi tão bom. mas aprendi que tudo tem jeito. eu tenho duas mãos que podem criar coisas lindas e, se isso significa poder esquecer do mundo por um momento e também me conectar com outras pessoas como eu, isso é suficiente para mim. consumir e produzir arte foi um consolo e uma descoberta enorme quando eu ainda não sabia o que fazer comigo mesma.

aquele dia no quarto vazio foi quando voltei a me sentir mais feliz – tinha um novo mundo para desbravar… o meu mundinho encantado que criei na minha cabeça, habitado por menininhas mágicas e melancólicas de bochechas coradas e batom borrado, que nasciam nos papéis cor de rosa, chorando, segurando espadas amassadas e nadando em gosma preta. era parecido com os livros que eu tinha começado a ler, e a trilha sonora era parecida demais com a da minha adolescência. me inspirava nos livros da melissa broder, nas músicas de wolf alice, hole, mazzy star, nas pinturas da vanessa stockard, e na vivianne westwood…



hoje, de várias maneiras, me sinto mais próxima da eu adolescente do que de quem eu era uns 5 anos atrás. que coisa boa é poder se aceitar (mais ou menos) por completo, mesmo sendo esquisita, chorona e não sabendo desenhar mãos… acho até glamouroso. que felicidade é passar o dia no meu quartinho sonhando com florestas encantadas e tentando entender cartas de tarô. que felicidade escrever no meu diário, sonhar e pensar com carinho nas coisas que mais quero e no que mais amo… são tantos segredos em forma de arte, queria poder contar tudo aqui.


a idiota (pixelada, de coração partido) era só um rascunho para a pintura, mas hoje amo tanto, quase igual… eu não estava apaixonada por ninguém, só desiludida com o mundo quando produzi essa arte… me sentindo tonta e pequenininha. acho que na época eu nem sabia tão bem como articular isso, estava começando a entender algo que hoje vejo com mais clareza. sou feita de amor e vivo confusa igual essa personagem… acho que a maioria dos meus trabalhos trazem algo assim.



meninas humanas…




não sei bem onde eu queria chegar com essas histórias, talvez inspirar alguém a fazer algo novo ou relembrar de algo que você gosta de fazer e, por algum motivo, deixou pra lá. já fazia um tempinho que eu não sentava e desenhava, e hoje fiz minha oc vestindo uma camiseta da blush… espero que isso na espada não seja nada. espero que ninguém tenha se machucado nessa pré-venda do mundo das fadas choronas.




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