Mei: “Eu não estou com medo. Totoro está comigo.”

Quando “Meu Amigo Totoro” foi lançado em 1989, grande parte do público já sabia que ali nascia uma obra-prima. Hayao Miyazaki estava decidido a encantar e teletransportar o espectador para sua fantasia: a natureza onde vivem Totoro e outros seres mágicos. Lá, a infância é celebrada em uma sensibilidade ímpar. Somos convidados, junto às irmãs Satsuki e Mei, a desvendar os jardins secretos que escondem tudo que foge aos olhos adultos, olhos cansados o suficiente para não notar o encanto que permeia o mundo. Acompanhamos o processo de adaptação das duas garotinhas que acabaram de se mudar para o campo, reconhecendo aquele lugar como um “novo lar” e se deixando levar pelas brincadeiras de faz de conta.

Totoro, que intitula o filme, é o enorme e gentil espírito da floresta que se torna o amigo imaginário das crianças e guia em uma série de experiências. Com suas cores cintilantes e paisagens deslumbrantes, Miyazaki cria um cenário de sonhos lúcidos onde musgos, reflexos em água e estrelas no céu compõem um quadro belo. A presença de Totoro e outros seres mágicos, como o Catbus, adiciona uma camada de mistério e sobrenatural às aventuras das meninas. A natureza e os elementos ao seu redor ganham vida, revelando superpoderes imaginários e feitiços que transformam o cotidiano em um espetáculo visual e emocional. Cada encontro com Totoro é repleto de aprendizados e memórias que reforçam a importância da conexão com a natureza e o poder da imaginação na infância. Nestas circunstâncias, as meninas se desconectam da angústia causada pela ausência da mãe, que está há meses internada, encontrando no mundo imaginário o escape do que incomoda, do que aperta o coração.

O trunfo de Miyazaki é extrair a beleza da simplicidade do dia a dia, notar o mundo quando enxergado por crianças e explorar temas profundos como amizade, família e crescimento de uma maneira tão sincera e fácil de se conectar. A relação das irmãs com Totoro simboliza a capacidade das crianças de encontrar magia e consolo em tempos de incerteza e mudança. É um lembrete poderoso de que, mesmo nos momentos mais difíceis, a magia está sempre ao alcance daqueles que têm olhos para ver e corações para sentir.

Em suma, “Meu Amigo Totoro” é uma experiência cinematográfica que transcende gerações, tocando profundamente aqueles que se permitem ser transportados para os mundos imaginários da infância. É uma obra que continua a inspirar e encantar, mostrando que, às vezes, a verdadeira magia reside na pureza do olhar infantil.

texto por Maria Eduarda Ichida

Uma resposta para “meu amigo totoro: a viagem encantada pelos jardins secretos da infância”.

  1. totoro me conecta a um lugar tão bom numa memória que eu decidi reiventar da minha infância que decidi tatuá-lo em meu braço para que, com seu sorriso enorme e seus olhos esbugalhados, ele me anime sempre que o veja em minha pele ♡

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