Os PALHAÇOS… de Femzor…

Para abrir essa #expoblush do mês mais assustador do ano, nada mais assustador do que palhaços, fazendo qualquer coisa, de qualquer jeito…

Esse é o universo que Matheus Albuquerque, ou Femzor, tem colocado em questão nos seus trabalhos. Com muita mistura entre o digital e o físico, tanto nas ferramentas quanto no modo de linguagem, Femzor resgata a figura provocante do palhaço numa nova geração do humor existencialista como personagem ativo e presente, ora representado estáticamente ali, ora sendo incorporado pelo próprio artista. Na entrevista a Blush, Matheus fala mais sobre sua relação com essa figura tão recorrente na sua arte, conceitos e inspirações, medos e fascinios.

ASMR Mukbang Wacdonald’s – Ilustração digital, 2023
recipe for success – Ilustração digital, 2023

──★ ˙ Olhando pro seu trajeto como artista, a figura do palhaço sempre foi bem presente pra você, desde ilustrações digitais do Ronald McDonald e agora explorado mais manualmente, em suas releituras de memes e autorais. Como que esse símbolo chegou pra você? O que ele significa?

R: Eu comecei a explorar a figura do palhaço há pouco mais de um ano, quando eu estava numa fase bem pop art. Então comecei a fazer uma coleção baseada no Ronald Mcdonald, em que o objetivo era servir como uma paródia ao McDonald’s. Me inspirei em artistas como Ron English e Banksy, que conseguem dar um olhar crítico a temas que todo mundo já viu, algo que eu tento fazer sempre no meu trabalho.

Eventualmente me enjoei do tópico, mas ainda assim, a simbologia do palhaço me interessava bastante. Eu comprei um aerógrafo e comecei a explorar o palhaço de uma maneira mais pessoal, criando minha própria versão do que ele significa pra mim. Hoje em dia, eu vejo o palhaço como essa mistura de humor e terror, temas que eu me identifico muito pessoalmente e artisticamente.

Eternal Cycle of Joy – Aerografia em papel, Colorido digitalmente, 2024
big brain time – Aerografia em papel, Colorido digitalmente, 2023
Target Practice – Aerografia em alvo, 2024

──★ ˙ Nos seus últimos trabalhos, você tem elevado essa expressão do palhaço pro seu rosto, qual sua intenção do seu próprio rosto virar sua arte (se houver)? E como é a sensação de performar seu próprio personagem?

R: Eu fiquei meio obcecado por palhaços quando comecei a estudar a fundo, e comecei a me identificar de verdade com essa persona. Vejo várias semelhanças entre o palhaço e o artista moderno da era digital. No meu caso, sempre gostei de trazer humor pro meu trabalho, mas sempre com uma estética meio dark. Essa é uma característica bem marcante dos palhaços, eles sempre são o personagem que faz graça, mas também têm um lado sombrio.

Com o tempo, fui me conectando mais e mais com esse conceito. Então, me colocar na posição do palhaço tem sido a minha forma de expressar esse sentimento de uma maneira mais literal. Acaba transcendendo o propósito da arte e virando uma questão bem pessoal. E pra mim, que sou tímido, isso tem sido uma maneira de performar de um jeito que me sinto confortável e real comigo mesmo.

i have two sides – Fotografia, Photoshop, 2024
insane – Fotografia, Photoshop, 2024
Auto-Retrato 2 Layer – c/ @kasoraro – Aerografia em camiseta modelada por Kasoraro, 2024

──★ ˙ A mistura de elementos e digitais também sempre aparece no seu processo de criação. Conta pra gente sobre essa relação? 

R: Sempre tive uma conexão forte com a arte digital, foi assim que comecei a me descobrir como artista, no Paint e depois no Photoshop. Assim como 99% da minha geração, todas as referências visuais que vi enquanto crescia, seja em jogos, sites ou YouTube, sempre foram voltadas pro digital. Sou fascinado por subculturas da internet e comunidades nichadas como 4chan e a deep web. Acho muito interessante essa parte menos acessada da internet e a influência que ela tem. 

Ironicamente, minha ligação com a arte digital se intensificou quando comecei a trabalhar manualmente. Eu fazia colagens, pinturas e roupas, mas sempre queria dar um toque digital nas minhas obras. Por um bom tempo, minha pesquisa girou em torno de criar peças físicas que parecessem digitais e digitais que parecessem físicas. Hoje eu estou mais focado em fazer obras físicas, mas todas têm uma conexão com o mundo digital, seja por uma técnica que aprendi no Photoshop ou pela inspiração em memes e na cultura da internet em geral.

the clown behind the clown – Aerografia em papel, Colagem digital, 2024
through the lens – Aerografia em papel, 2024
big phone – Aerografia em papel, Colagem digital, 2024

──★ ˙ Para entrar no clima de Halloween: qual seu maior medo?)
R: Eu tenho muitos medos para listar, e a maioria deles é bastante comum, mas basicamente todos os tipos de insetos e veículos me deixam desconfortável. Ao mesmo tempo eu sinto um fascínio por esses medos, eles têm um perigo muito sutil relacionado a eles. Esses tempos andei pesquisando sobre e descobri um termo chamado “phobophilia”, que em resumo é a condição de ter fascínio por situações que te causam medo. Acho que é tipo se assustar vendo um filme de terror, mas gostar da adrenalina.

Risoterapia – Aerografia em tela, 2024

Para conhecer mais do trabalho de Femzor, acesse seu site ou instagram.

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