no dia em que decidimos o tema de Trabalho, fiquei pensando em todas vontades que tive com o correr do tempo. quando eu tinha 5 anos eu queria ser bailarina da barbie, depois quis ser veterinária, alguns anos se passaram e pensei em ser jornalista, pra depois roteirista e em seguida tradutora e logo após sonhei com criatividade e hoje sou designer e blush girly girly mesmo passando a vida inteira ouvindo que eu deveria ser advogada ou médica.

pensando em todas essas curvas, mudanças de ideias que tive e ambições e sobre como o trabalho é algo de gosto agridoce, fiquei muito curiosa pra saber a visão e vivência dos nossos leitores.

assim, mês passado, pedimos pra vocês um projetinho autoral que representasse o trabalho atual de vocês ou o dos seus sonhos. estávamos com uma certa expectativa em mente, mas recebemos respostas incríveis, que superaram tudo que podíamos imaginar e que deu até vontade de continuar sonhando.

acho que esse é o expo blush collab mais especial que já tivemos.

compilamos essas contribuições nesse post, aproveitem cada coisinha, esperamos que vocês gostem assim como amamos receber esses envios!

“obra em processo”, 2025
leticia alves 
cerâmica
“uma mistura de profissao com hobby e sonho pro futuro. fazer ceramica já pensando na aposentadoria a ideia de passar a vida brincando com barro”
“sem título”, 2024
Marcelle Torres
pintura digital
Minha profissão atual é designer e ilustradora, mas a dos sonhos de infância era ser escritora
Desenhei essa moça despida de tudo, nua como veio ao mundo, porque assim só lhe restam as palavras. E também o necessário: caneta, papel, uma cadeira de balanço e a cabeça cheia de sonhos e nostalgia.
arqueóloga” , 2025
Carolina Calixto
adesivos, lápis HB, caneta permanente, fotografia de acervo pessoal, papel couchê e papel translúcido.

“Creatures” 
, 2025
Aninha Braun
“profissão real: designer de moda e estilista
profissão dos sonhos: sonho em criar uma comunidade fashion de criaturas fantásticas ⋆ ˚。𖦹 ⋆。°✩”
Sem título, 2025
bia assad
“eu sou designer há 4 anos, mas sou formada em letras. eu falo de literatura como hobby, mas já virou trabalho também, talvez eu esteja trabalhando mais que 12 horas por dia.
sempre amei ser designer porque descobri as ferramentas pelo hobby. amo escrever e ler pelo hobby. uma hora viraria trabalho, mas como amar o que faz se nada é perfeito ao olho alheio? se o que fazemos não é por pura diversão e tem tantos compromissos?
chorei com a redoma de vidro quando fui demitida, pois a protagonista sabia exatamente como eu me sentia, a teoria dos figos era das conchas pra mim: a agua levava embora, eu achava que na próxima onda viria uma concha mais bonita, fui perdando as mais graciosa por ganancia, me mantendo confortável com as finas e quebradiças. 
descobri que vivo um burnout e ataques de pânico com gatilho de qualquer “oi, podemos conversar?” e eu só queria, no fim, ganhar dinheirinho e gastar em viagem, comida, livro. 
amar a vida. 

mas nada adianta se você não tá bem da cabeça – e no trabalho.”
“talking cure“, 2025
Elichanday Azevedo
colagem digital
1537 x 1986
“curso psicologia e a minha profissão dos sonhos retratada aqui é a de ser escritora publicada”
sem título, 2025
chorona
ilustração digital “Eu quero ter um ateliê pra explorar tudo que eu quiser e que me paguem dinheiros pra fazer essas tais coisas”
” parquinho” , 2025
Caroline
website completo “No parquinho, eu busco mostrar quem eu sou profissionalmente hoje exibindo as coisas que eu fazia quando criança, que apontam exatamente para o meu trabalho dos sonhos de criança: criar coisas, muitas vezes coisas interativas. O parquinho é um site/museu que mostra uma linha do tempo de arquivos e imagens que achei por aí nas catacumbas dos PCs de casa. Achei muitos projetos de Scratch que nem funcionam na versão atual do Scratch, então precisei ir pro cafundó do judas achar o Scratch 1.4 para baixar. E valeu a pena! Acabei descobrindo que não só eu já programava com 9 anos, mas ainda consigo entender e editar esses códigos 16 anos depois (algo que foi necessário em alguns projetos pra conseguir fazê-los rodar direitinho).
Nesse processo eu decidi fazer um web design (minha profissão atual de mulher crescida!) que conversa com esses pedacinhos da “eu” pequetucha/jovenzinha, mudando de cor de acordo com a paleta dessa mídia: seja ela super-mega-rosa-choque ou pastel vaporwave. Além disso, coincidente com o fato de eu sempre ter gostado da ideia de programar coisas, eu também programei esse site do zero como um desafio de furar a bolha: não basta desenhar, quero montar o monstrinho e ver ele rodando. Eu sempre fui assim, e acho que o parquinho é esse lugar atemporal que conta muito sobre mim e meu instinto de inventar sempre, inventar sem parar, e às vezes inventar coisas que ninguém pediu.”

Workspace“, 2021
Marina Cardoso
Ilustração digital
2001×1000 px
sem título, 2025
beatriz sabino
colagem digital
1537 x 1986
” é uma bibliotecária! (assim como eu)”
“Experimentações desde a infância“, 2025
Madu Terra
Giz pastel e colagem digital
20 x 10cm
“Eu queria ser tudo. Desde criança, me perguntavam o que eu queria ser, qual era minha profissão dos sonhos. Queria ser bailarina, no dia seguinte, astronauta, e no outro, artista. Dia após dia, era um sonho após o outro, por que eu teria que escolher apenas um?
Queria ser uma “Tudo” profissional, trabalhar fazendo tudo, todos os dias, ao mesmo tempo. Quando comecei a dizer que queria ser artista, sempre vinham as perguntas: “Tá, mas artista de quê? Pintora? Atriz? Cantora?” E eu insistia no “Tudo”.
A beleza de sentir sempre me encantou. Não queria só pintar, também queria cantar. E ao som daquela música, queria dançar, enquanto registrava tudo com uma câmera para, no dia seguinte, escrever um texto sobre o momento.
Penso que meu trabalho dos sonhos sempre foi, e sempre será transformar cada expressão em uma experimentação”
“mini artista“, 2021
winonalis
aquarela e lápis de cor sobre papel 300g/m2
21cm x 14,8cm
“eu curso arquitetura e urbanismo, mas eu queria mesmo era ser uma esquilinha artista que vive na floresta e apenas pinta o dia inteiro
“nada será como antes“, 2024
malu marçal
xilogravura sobre papel de carta
21 x 29,7cm
“a tatuagem está na minha vida profissional há 5 anos e parece já meio fantasioso sobreviver marcando peles alheias, atuando no espaço tempo do antes e do depois em que alguém registra algo sob si mesmo para sempre. Escolhi essa obra específica para a representação da profissão real pelos elementos visuais que ela carrega que são do universo da tatuagem, o lettering, o tribal, o sobrepor para nascer algo novo.”
“todos os sinais“, 2023
malu marçal
acrílica sobre tela e extensão de cerâmica fria
25 x 25cm
“A escolha se deu quando comecei a pensar nas possibilidades de um “emprego dos sonhos”, e o que isso poderia vir a ser sem nenhuma amarra ao sistema capitalista ou até mesmo com a própria realidade. dada a oportunidade de fantasiar cenários, me imagino como coelho saltitando por serras extensas de Minas Gerais, sem hora, sem amarra, sem demanda. me imagino nessa transmutação e acho curioso como o tema cabe em uma pintura feita a 2 anos atrás, que me trazia a mesma sensação que tenho quando falo de emprego dos sonhos – liberdade plena.”

continuem participando da nossa collab mensal, amamos sempre receber vocês!

beijos e suspiros da secretária da expo blush collab (lua ₍ ᐢ.ˬ.ᐢ₎˚୨୧

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