pensando no tema do mês, ritos de passagem, cada membro da blush escolheu cuidadosamente e com muito carinho, um álbum que marcou nossos corações. relembramos memórias importantes e refletimos sobre aonde elas nos levaram. é o exercício livre de auto-análise por meio da música e, que beleza ver quem nos tornamos <333
a playlist pode ser escutada no spotify da blush
⊹ ࣪ ˖ camila ⊹ ࣪ ˖
69 love songs – the magnetic fields

escolhi esse álbum porque fazem só alguns poucos meses que o ouvi pela primeira vez mas me fez relembrar diversas situações amorosas que já vivi. a cada música, eu via os anos, as pessoas e as memórias passando diante de mim. algumas dolorosas, engraçadas, românticas, cruéis, mas todas complexas e verdadeiras. e, as que não me identifiquei, me pareceram um presságio profético do que ainda pode me acontecer, afinal, são 69 músicas! ansiosa para o que elas vão significar para mim, mal posso esperar!
top 3: long-forgotten fairytale, epitaph for my heart, the book of love
⊹ ࣪ ˖ catarina ⊹ ࣪ ˖
songs of love and hate – leonard cohen

a maioria dos meus momentos definidores foram quando eu vivi paixões muito intensas, principalmente quando não são mútuas e eu vivo sozinha uma relação que não existe. eu sou muito boa em usar esse sentimento e canalizar dentro de mim pra chegar nesses momentos transformadores. songs of love and hate é o álbum definidor da última paixão avassaladora que eu senti, quase exatamente um ano atrás.

quando eu escuto love calls you by your name é como se eu nunca tivesse superado e a música faz eu voltar no tempo pra esse momento tão doloroso mas tão lindo. o álbum todo me ajuda a lembrar que todo amor que eu amei no fundo eu dediquei a mim e a mais ninguém (angela roro). a experiência de escutar esse álbum me transformou tanto quanto viver esse sentimento, e eu não sei mais o que é o sentimento real ou a sensação de ouvir o leonard cohen.
top 3: joan of arc, love calls you by your name, famous blue raincoat
⊹ ࣪ ˖ gabriela ⊹ ࣪ ˖
solar power – lorde

confesso que esse álbum não me marcou quando lançou, eu demorei uns anos pra finalmente ouvir ele… mas, enquanto o escutava há uns dias atrás, percebi que essa fase da lorde é meio que tudo que eu precisava ouvir, e talvez todos nós que tivemos uma adolescência meio cinza pure heroine e vivências tão avassaladoras quanto o melodrama. mesmo com toda a complexidade da vida e carregando tantos traumas, eu quero que minha juventude seja solar daqui pra frente, porque eu estou mais viva do que nunca, apesar e por causa de tudo que eu passei.
top 3: solar power, stoned at the nail salon, secrets from a girl (who’s seen it all)
⊹ ࣪ ˖ jeje ⊹ ࣪ ˖
tidal – fiona apple

o final da minha adolescência até o começo dos meus 20 anos passou devagar, levando um dia de cada vez. lembro-me das manhãs chuvosas e dos dias nublados, nos quais eu já nem buscava meu eu, mas questionava qual sequer era meu propósito aqui. e era assim: eu gostava de aprender tricô, de modelar com barro, de ler livros de cinco décadas atrás e de ouvir músicas que eram tão lindas que eu nem acreditava que tinha vivido esses 20 anos sem elas. eu tinha um quarto só meu pela primeira vez, mas ainda assim descia o corredor frequentemente para buscar conforto no quarto da minha irmã – a gente gostava de ouvir música juntas e de assistir à fiona descendo uma rua à noite cantando never is a promise, parecendo um anjo e soando como uma menina machucada, mas com muita certeza de seus sentimentos e de como expressá-los tão articuladamente.
tidal foi lançado quando fiona tinha apenas 19 anos e, em vez disso me desencorajar – que alguém criou algo tão belo, tão profissional, quando tinha menos idade que eu -, ela simplesmente me acolheu quando eu mais precisava: por não ser mais uma criança, por me sentir tão sozinha, tão perdida e chateada comigo mesma e com o que me rodeava, mas bem acompanhada de um álbum que me entende, que eu entendo, sem pular nenhuma etapa, nenhuma música sequer. e com um piano tão bonito.
top 3: the child is gone, the first taste, never is a promise
⊹ ࣪ ˖ julia ⊹ ࣪ ˖
heaven or las vegas – cocteau twins

esse álbum me acompanhou de forma muito intensa entre meus 16-20 anos. eu lembro até do dia que ouvi ele inteiro, foi como se algo dentro de mim se abrisse pela primeira vez, meio espiritual. era uma época muito turbulenta da minha vida, muita coisa tava mudando ao mesmo tempo e eu carregava muita coisa dentro de mim. é aquele momento chave da vida que a gente se sente saindo de fato do lugar da infância e conseguindo enxergar a vida com outros olhos, aceitando a imensidão das coisas e vendo como tudo é bonito e poético também. pra mim esses sentimentos que estavam borbulhando todos de uma vez eram traduzidos em toda a orquestra desse álbum. crescer dói, mas também é lindo…
top 3: frou-frou foxes in midsummer fires, pitch the baby, fotzepolitic
⊹ ࣪ ˖ lua ⊹ ࣪ ˖
be the cowboy – mitski

descobri a mitski com as músicas desse álbum em um momento no qual me sentia muito perdida, sem qualquer ponto de identificação e pertencimento em todos os lados da minha vida e encontrei essa mesma solidão e desejo por um motivo pra continuar sendo no be the cowboy. foi a minha porta de entrada para todo o trabalho da mitski e descobri em seu trabalho e discurso as palavras que melhor definiam essa sensação de não pertencimento que eu não sabia muito bem descrever sobre ter uma identidade parcialmente nipônica.
top 3: geyser, a pearl, remember my name
⊹ ࣪ ˖ sofia ⊹ ࣪ ˖
all things must pass – george harrison

eu confesso que não me lembro exatamente quando descobri esse álbum, mas lembro que escutava muito quando eu tava no ensino médio, um momento que eu precisava bastante do conforto e consolo que essas músicas me fazem sentir. ele todo tem uma temática bem espiritual e, apesar de eu não ser particularmente religiosa, acho que as letras das músicas conseguem me fazer experienciar algum tipo de fé. ele é capaz de consolar a mais inconsolável das tristezas, curar toda a desesperança e trazer a verdadeira paz pro meu coração. sempre que preciso escuto as músicas como se fossem um mantra ou uma meditação.
top 3: all things must pass, run of the mill, my sweet lord
⊹ ࣪ ˖ andressa ⊹ ࣪ ˖
born to die – lana del rey

eu não seria a pessoa que eu sou hoje se não tivesse ouvido o born to die quando ele foi lançado em 2012, aos meus 11 anos. fui uma criança meio precoce e nessa época eu já passava o dia assistindo mtv e a figura da lana veio como um encanto: uma mulher linda, meio fantasma, meio diva de cinema antigo. fiquei encantada… ela parecia ter saído de um sonho.
foi amor instantâneo. naquela idade, ainda em colégio católico, a minha vida real era feita de uniformes, missas obrigatórias, salas abafadas e culpas que eu ainda nem sabia nomear…… mas quando eu chegava em casa, corria pro computador da família para passar a tarde assistindo os videoclipes dela. tudo nela era exagerado e melancólico de um jeito que fazia sentido pra mim, mesmo tão nova. ela chorava com glamour, dançava de vestido longo em câmera lenta, falava de amores perigosos e beijava em carros antigos. eu achava aquilo tudo tão bonito…. tão maior do que a vida.
apresentei a lana pra minha melhor amiga da escola, e ela também ficou obcecada. lembro de uma vez que ela copiou a letra de off to the races num caderno – “my old man is a bad man but I can’t deny the way he holds my hand” – e a mãe dela ficou tão preocupada que ligou pra minha mãe achando que a gente estava envolvida em alguma coisa perigosa (kkkkk!). mas, pra gente, a lana sempre foi claramente uma personagem.
a gente entendia o jogo: ela era uma espécie de atriz em seu próprio filme, uma musa trágica e autoconsciente. e essa distância da realidade era o que tornava tudo mais divertido – amávamos a fantasia, o glamour, a tragédia, os namorados errados, as festas, a maquiagem borrada… enquanto o grande público começava a vê-la como símbolo de tristeza, eu só conseguia enxergar uma mulher que tinha criado sua própria mitologia, que escrevia sua vida com uma estética cinematográfica, dançante, decadente, divertida e linda.
e acho que foi aí que tudo começou. a forma como vejo arte, música, amor (através dela, conheci lynch e cohen, por exemplo). a minha vontade de tornar tudo mais sensível, mais cinematográfico, mais excessivo. born to die foi o portal. a trilha sonora de uma adolescência que nem tinha começado direito, mas já queria sofrer bonito…!
revisitar esse álbum, após anos esquecido e com pelo menos uma década de músicas novas na cabeça, é perceber que foi ali que muita coisa começou – minha pré-adolescência e uma nova era no pop feminino. a própria pitchfork, que inicialmente avaliou born to die com 5.5, revisitou sua crítica anos depois, elevando a nota para 7.8 e reconhecendo que o álbum “acabou sendo um sinal das coisas que estavam por vir”. naquela época, muita gente não entendeu – ou não quis entender – o que lana estava fazendo. ela foi subestimada, mas quem prestava atenção sabia: ela estava muito à frente. talvez não seja meu favorito, mas é o mais influente. foi ali que muita coisa mudou, mesmo que a gente não soubesse na época.
top 3: off to the races, video games, this is what makes us girls
a blush quer saber,
quais álbuns mais marcaram a vida de vocês?




Deixar mensagem para Letícia Cancelar resposta