esse mês a caixinha ficou cheia. foram muitas perguntas, muitos desabafos, segredos de vocês. e a gente leu tudo com calma – tentando entender o que cabia a nós responder, o que podíamos acolher com palavras, e o que talvez fossem só desabafos da madrugada que vieram parar na nossa caixa de entrada e mereciam, mais do que uma resposta, nossas orações silenciosas……

ninguém aqui é terapeuta cerficado ou guia espiritual, então preferimos não inventar respostas….! respondemos como quem escreve uma carta pra uma amiga: com cuidado e sinceridade e com a noção de que às vezes não existe uma solução… mas talvez exista um jeito mais leve de olhar as coisas 🙂
ficamos muito tocadas com a confiança de vocês. com a coragem de dividir pedaços tão íntimos da vida com a gente. agora, vamos responder umas coisinhas juntas:
é tarde demais para recomeçar aos 28?
– anony
cami: de forma nenhuma! pra mim, recomeçamos todos os dias.
je:

o que fazer quando uma pessoa aparenta te admirar mas na verdade ela quer ser você e _tenta_ copiar tudo que você faz?
– anony
cami: tento não dar palco pra maluca(o) e ignorar mesmo, indiferença é a melhor opção.

oi gente!! queria saber se vocês já tiveram a sensação de que tudo o que a gente faz durante a nossa vida é meio sem sentido, apesar de existirem diversos propósitos. eu tenho pensado nisso faz um tempo e já não consigo mais produzir a minha arte do mesmo jeito que eu fazia antes, tudo parece meio vazio :(( enfim, só queria saber se alguma de vocês já passou por isso e, se sim, o que ajudou durante essas fases ❤
– lili
cami: já passei sim algumas vezes! entrei na faculdade em 2019 porque gostava de cinema, mas na metade do curso quis focar mais em moda, no final dele me encontrei mais nas artes visuais e plásticas. aí, já formada, enveredei pela escrita de textos mais reflexivos e curadoria e, hoje em dia escrevo análises teóricas acadêmicas sobre arte e filosofia. mudei bastante e com certeza vou continuar, e eu, me encontrei em cada uma delas em cada época. você, agora, pode estar comparando fases da sua vida, que refletem diferentemente na arte, mas não podemos enxergar nossas sutilezas de forma tão dicotômica. você pode estar num limbo artístico agora, mas em breve algo vai te inspirar de onde você menos imaginar e vai te levar a experiências que você nunca imaginou. dê tempo ao tempo, períodos de transição são necessários e não precisam ser vistos como algo negativo.
lua: faz mais ou menos 1 ano que tenho a sensação de que parece que o mundo tá indo pra uma direção de muita maluquice e violência e isso tem me trazido muito a necessidade de lembrar todo dia de pelo menos um motivo que me faça acreditar que ainda há algum sentido e propósito. no meio de todas essas destruições e crueldade, tento concentrar no que produzo algo que me estabilize. me acalme. tento fazer com que essa produção não seja apenas uma produção mas também um refúgio. recorro à fofura com muita frequência não só por estilo mas talvez a fofura seja mesmo um grito de socorro preciso de um conforto.



gabi: ultimamente tenho tentado pensar que a vida tem sentido por si só, e tentar achar um propósito muito grande não é necessariamente o caminho “certo”. tenho me sentido melhor vivendo um dia de cada vez e encontrando propósito nas coisas que de fato me rodeiam, nem sempre são coisas que eu gosto de viver, mas aos poucos sinto que isso faz eu sentir que estou viva, e que só isso importa no fim do dia. procurar pessoas e projetos que ressoem com você de alguma forma pode ajudar!

terminei mês passado com meu ficante, ele era um lixo, mas ainda sinto saudades todos os dias e tenho medo de nunca mais achar ninguém. não sei o que fazer pra tudo isso passar
– anon
cami: já vivi essa exata situação e mesmo depois de tanto tempo, às vezes um pensamento aqui e acolá volta, mas com o tempo vai passando. todo o amor e saudade que você ainda sente, vai se perdendo no passar de cada dia e, de repente, quando você menos esperar, as recordações vão ficando mais nebulosas. e você vai continuar vivendo, estudando, trabalhando, amando seus amigos e futuros parceiros e todas as pequenas grandes coisas que te fazem bem e te amam de volta. o tempo é a cura mas também o veneno e cabe a nós dosarmos.
gabi: a cami já disse tudo mas queria acrescentar que um mês pode parecer muito mas não é! logo logo (em algum momento) vai doer um pouco menos e você com certeza vai achar outra pessoa que você goste, basta não desistir dos seus desejos…
dre: eu senti isso – que nunca mais ia gostar de alguém – quando terminei meu primeiro relacionamento (que também era horrível). quando acabou, achei que fosse morrer de tanta tristeza……… mas depois de um tempo, foi como se eu tivesse nascido de novo. eu passava os dias ansiosa por causa dele, e de repente me vi com um vazio enorme, um tempo livre que antes eu não tinha e que agora eu precisava aprender a ocupar ele. comecei a ir atrás de pequenas formas de me consolar: mudar algo na aparência, aprender uma coisa nova, redescobrir um hobby, reencontrar amigos, fazer terapia, mexer o corpo, tomar sol… hoje parece loucura o tanto que eu sofri por alguém que me fazia tão mal. demorou 3 anos até eu me apaixonar de novo – e só então eu entendi o que era amor de verdade. é estranho lembrar que um dia eu achei que isso nunca mais fosse acontecer…. porque uma hora acontece! confie nisso…. ❤

eu queria saber como vencer a depressão
– anon
julia: como pessoa diagnosticada, acredito que por pequenos passos a gente consegue ir longe, seja nas pequenas coisas do dia a dia que te façam se conectar com o mundo… e com você mesmo. existem diferentes fatores pra ela (a depressão) estar ali, das coisas universais que se podem fazer, que parecia bobo quando meu psiquiatra falava até eu começar a fazer: caminhadas, tomar sol, ter um diário, meditar…. passar muito tempo no celular só piora. é necessário olhar pra si mesmo, e com mais compaixão, compreensão.

como todas aqui são do meio artístico, e como eu fisicamente não consigo almoçar sem youtube, gostaria de saber quais são os canais relacionados a mídias criativas que vocês mais gostam!
– anon
cami: não é no youtube, mas gosto muito dos vídeos da luísa guarnieri e da bianca pz (no instagram e tik tok)
lua: eu amo a mina le
julia: eu não sou muito consumidora de youtube, mas gosto muito da mina le
gabi: não assisto muito youtube, mas eu gosto dos videozinhos da sotce… são bem simplezinhos e inspiram de forma sutil. ficar viajando em clipes é legal também (não sei se conta).
je: jenny nicholson (acho que conta)
dre: não assisto conteúdo sobre arte só bobeiras e video essays..…… mas acho que uma boa indicação e próxima disso seria o canal da emilia fart! ela é uma das pessoas mais legais do mundo pra mim.

vocês tem alguma experiência com fracasso? fracasso real, fiasco.
– @gmzurt_
lua: reprovei na prova prática do vestibular de artes visuais e me achei a pessoa mais burra do mundo inteiro. tranquei a faculdade de letras depois de cursar por 1 ano e meio e depois de todo mundo me dizer que o curso tinha muito a ver comigo. reprovei 2 vezes na prova prática de direção e até hoje não sei se sou uma boa motorista.
dre: todo detalhe do meu primeiro relacionamento foi humilhante pra mim….. até hoje eu lembro de algumas coisas sobre isso e me dá vontade de morrer. dica de ouro: não namore uma pessoa que te odeia nos seus anos de formação……..

ritos de passagem, transições, quedas inevitáveis… desta vez, perguntamos: qual foi a maior desilusão da sua vida adulta? o que você descobriu sobre o “mundo real” que ainda te incomoda – ou te fez enxergar as coisas de um jeito que talvez preferisse não ver? ou, quem sabe, uma desilusão que acabou te transformando para melhor? valia tudo: das pequenas revelações do cotidiano às grandes crises existenciais. reunimos a seguir as respostas que recebemos dos nossos leitores ao longo da semana 🙂



























crédito: uwe_schubert / flickr
obrigada a todos que participaram do quadro! até a próxima :*




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