PÁSCOA NO JAPÃO
PARTE II
BELEZA & TRISTEZA
CAPÍTULO III
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THE WORLD ENDS WITH YOU

Estou desaparecido.
Não leio mensagens. Não sabem onde estou e não sei onde ninguém está. Leio “Ice” de orelha a orelha no avião para Paris. “Ice” é sobre o mundo tomado pelo fim. Sobre um homem buscando uma garota muito magra e pálida que nasceu para ser tomada, mas sempre consegue escapar. Quando ele finalmente a alcança, abandona logo em seguida, como ela sempre soube que faria. Obra-prima.
Conforto no voo. O branco do livro vaza; tudo parece cristalizar. Começando comigo. Casulo frágil. O que será de mim daqui uns dias quando tudo terminar? Continuarei escapando, ou espero abandono?
O livro tem um fim ambivalente de filme gângster; ele retorna de última hora, ela entra no carro. Como em “The Graduate”. Ele tem uma arma no bolso. O mundo não para de acabar.
CHOSES SECRÈTES
Estou em Paris. Dennis e eu vínhamos combinando de nos encontrar, mas teve de voar aos Estados Unidos com Zac para exibir o novo filme. Deixou-me com recomendações do que fazer.
Tinha combinado de visitar o ateliê de um mutual, mas perco o desejo. Não tenho certeza do por que quero tanto estar sozinho. Na última vez que estive aqui, encontrei muitos homens. Sumi por algumas noites; minha irmã se preocupou. Os parisienses até me atraem; narigudos, sujos, cruéis. Não é difícil ter se eu decidir querer. Mas todos falam do TMVII. Parece ainda pior que MPoxx. Europeus e suas doenças. Não quero pegar. Na verdade, não tenho conseguido pensar em homens durante a viagem inteira. Não sei por que. Talvez saiba. Talvez só não queira escrever aqui. Talvez você não precise saber.
Dentre as recomendações que Dennis me deu, elejo três: Nan Goldin no Grand Palais, After 8 Books no 10eme, Musée de la Chasse et de la Nature. Tenho uma noite e dois dias. Dá pra encaixar.
Jantamos pasta assim que chegamos, à luz de velas, então compramos cartões Navigo na estação de metrô mais próxima. Vejo meu primeiro rato francês; ele passa a poucos centímetros de meus pés. Minha irmã grita.
Na manhã seguinte, comemos tartine e pain au chocolat num café perto do hotel, em Saint-Germain. Pôsteres nos postes e bancas de jornais celebram o centenário de Marilyn Monroe. Hoje começa uma exposição e retrospectiva na Cinematheque. Encaro como mais um sinal divino. Quero tentar ir. Noto a Chanel entre os patrocinadores. Durante esses dias notarei, com desconfiança, a quantidade de coisas que a Chanel patrocina.
Vamos à Notre Dame, mas a fila para entrar é grande demais. Compensamos com outra igreja que cruzamos por acaso, Saint-Germain de Près. Velório. Minha irmã faz um comentário sobre termos visto um casamento em Tóquio e agora um funeral. “Só falta um nascimento”. Acendemos velas; ela, para Santa Rita, eu para São Miguel.
Vagamos pelo Quartier Latin. Minha irmã quer uma ecobag nova da Shakespeare and Company. Fica na fila enquanto eu ando mais, e me manda mensagem na hora de entrar. Somos rápidos; compro a obra completa de Sarah Kane e “Because They Wanted To”, de Mary Gaitskill. Quero a poesia completa recém-lançada de Kevin Killian, “Padam Padam”, também, mas o livro é muito muito grosso. Acabo deixando.
Hora do almoço. Restaurante de soufflé. Escolho o de salmão. O gosto é bom, a textura nem tanto. Então nos separamos. Ando vinte minutos até o Grand Palais. De um lado, um evento chamado ArtFrance, com filas VIP e policiamento extenso. Do outro, Goldin e Matisse.








A exposição consiste em uma série de salas, cobertas por véus, exibindo slideshows e vídeos. Proibido filmar ou fotografar. Só quem vê sabe o que viu. O primeiro que assisto, assim que entro, é “Stendhal Syndrome”. Vinte e seis minutos. Entro no meio, então permaneço na sala quando acaba para assistir desde o começo. Construído ao redor das Metamorfoses de Ovídio, é Goldin, em voice-over, destrinchando sua relação com uma série de obras de arte e associando as figuras nelas e em suas próprias fotografias com personagens mitológicos. As seções de Orfeu e Eco me deixam especialmente tocado. Quando acaba, ando até a sala ao lado. “Próxima sessão: 14h19” escrito em caneta. Uma pequena fila se formando. Busco o título, e não acredito quando decifro. “The Ballad of Sexual Dependency”. 41min. Desde que conheci aos catorze, nunca pensei que teria a chance de ver ao vivo. Me apronto. Aguardo.
Não sei muito o que contar da experiência, nem como. Diria que não tinha como esperar por muito do que acabou sendo. Que o que achei que seria não foi exatamente. Que há muito mais. Muito mais imagem, muito mais som. O slideshow é dividido em séries, cada uma com uma canção diferente na trilha. “I’ll Be Your Mirror”, “Downtown”, “Casta Diva”, “Don’t Make Me Over”. Há uma seção de bravado masculino, ao som de “It’s a Man’s, Man’s, Man’s World”, uma seção de crianças, com “Le Petit Chevalier”, uma seção de mães, de gatos, de espelhos, de heroína. Siouxsie Sioux cantando “Kiss the girl, kiss the girl/You didn’t miss the girl, you hit the girl” enquanto Goldin e inúmeras mulheres exibem rostos e corpos brutalizados por parceiros. Ouvi a senhora ao meu lado chorar. Chorei também. Casais gays no chuveiro e sob lençóis, ternos, com Lesley Gore cantando “You Don’t Own Me”. Quando a foto da capa do livro finalmente chega, é morte silenciosa. Fico surpreso com o escopo da obra. Geralmente quando se fala dela, são sempre os mesmos pontos: intimidade, amizade, geração, Nova York, queer, mulher, AIDS. Sim, tudo isso está lá. Warhol, Waters, e especialmente Cookie Mueller marcam presença. Mas os retratos extrapolam; a lente sai do quarto e das festas. Há cenas lindas por ruas de interior, nas profundezas americanas, por estacionamentos, na natureza. E muitos homens. Não esperava tantos. Um certo enfoque de masculinidade, de macheza, que me lembra muito de “Je tu il elle”, de Chantal Akerman. Enfim. É lindo. Estou muito grato de estar aqui agora.

Assisto aos outros vídeos. O que mais gosto é “Memory Lost”, montagem panorâmica – com fotos, vídeos de arquivo, gravações de secretária eletrônica, entrevistas – sobre a vida sob o vício.
Próxima parada: After8. A voz no metrô alerta em francês, inglês e italiano sobre pickpockets. Desço na Strasbourg-Dennis e ando alguns minutos. Bem escondida. Somente um funcionário, aging twink com franja grisalha penteada para o lado. Muito doce. Conto que Dennis me guiou, que é sua livraria favorita na cidade. Ele ri, com humildade, pede que eu agradeça. Me mostra o que tem dele na loja. Quero Flunker, mas não tem. Pego outros dois que faltam na coleção, e outro que é segredo. Muito mais coisa na estante; acervo extenso de literatura alternativa em língua inglesa. As lendas: Acker, Kraus, Bellamy, Myles, Killian, Delany. As pós-Alt Lit: Madeline Cash, Honor Levy. Traduções de Guyotat. A livraria é marcadamente queer; há muitos zines, muita teoria. Livros de fotografia. Uma seção de cinema, outra de música. Passo mais tempo que esperava decidindo o que levar. Ele me entrega um flyer, me convidando para um evento literário nos próximos dias, se ainda estiver em Paris. Parto.
Quero tentar passar na Place République, por perto; gosto da atmosfera, e de ver os skatistas. Meu hotel era por lá na última vez que vim. Mas me perco em outro bairro; é um pouco esquisito. Tento escapar andando, mas parece que nunca acaba. Ajo como se fosse de lá, mas não sou. Entro na primeira estação de metrô que encontro. Pego o celular; minha irmã quer jantar. Sigo para encontrá-la.
Ela está nos jardins da Eiffel. Quando vim, anos atrás, basicamente me recusei a visitar. Era a primeira vez em Paris; tinha muito mais que queria fazer, e os Arcos do Triunfo foram tão decepcionantes. Ainda não chego ao gramado, aos pés, onde todo mundo tira foto, dessa vez. Mas avisto, relativamente perto, do alto da Place du Trocadero. Não gosto da atmosfera. Tudo parece sujo e vulgar. Há camelôs por todo lado, vendendo as mesmas miniaturas de plástico. Minha irmã está nos jardins, no Aquário. Subimos juntos os degraus. Comemos no bairro.

Quero ir ao cinema. Há muitas salas perto do hotel. Nenhum lançamento me interessa; não quero ver The Drama. Pesquiso. Dois cinemas, na mesma rua, passam filmes antigos. Um deles, Made in Hong Kong; nunca vi. O outro, Gerry, um de meus filmes favoritos, como parte de uma retrospectiva de Van Sant. Os dois no mesmo horário, 21h30. O que fazer? “Melhor o que você ama”, minha irmã diz, “Menos chance de se decepcionar”.
É uma quarta-feira, e ainda assim a sala enche para ver cinema de fluxo dos anos 2000. Há muito que me causa desconforto em Paris, mas não posso reclamar do lifestyle. As pessoas leem livros e veem filmes.
Aqui, você compra ingresso na bilheteria, então tem que voltar ao lado de fora do cinema para esperar na fila. Não tem lugar marcado; todo mundo troca, inclusive eu, vez após vez, até as luzes apagarem. Alguns twinks sexualmente ambíguos vestidos como os garotos de My Own Private Idaho, trintões de quarter zip, uma família americana de três definitivamente perdida (vejo o filho deitando no colo do pai para dormir, no meio do filme). Um casal hétero jovem num date, como os da Cinemateca do MAM. Será que todos aqui sabem o quão estranho é o filme que estão prestes a assistir? Matt Damon e Casey Affleck vagando por um deserto ao som de Arvo Part por 103 minutos. Estou com jet lag e um cansaço acumulado de muitos dias andando muito e dormindo pouco. A sessão é uma experiência imersiva: deliro junto com os protagonistas.

VERIDIS QUO
Último dia. Não quero mais descrever. Listarei.
Acordando no sol. O nome do hotel parece “Michê”. Na Place de l’Odéon; me lembra Femme Fatale do De Palma. “Paranoid Park”, às 11, no Champo. Não vai dar tempo. Minha irmã quer correr no Jardim Luxemburgo. Acompanho, mas só fico andando. Há pessoas pintando.
Metrô. Chasse et Nature. Museu favorito de Dennis. Taxidermia; Chardin; coelhos sangrentos; veados correndo; lustres de chifres; dioramas; uma biblioteca na cabana. Tudo é pele e cadeia.
Caminhando no Marais. Loja de manequins; menino-manequim andando de skate na vitrine. Rostos de Rimbaud em vermelho e preto entre “love”s repetidos em cursiva. Faixa de arco-íris; desvio.
Loja de discos de bicha, com enfoque em Madonna. Fotos raras de 1998, Ray of Light era. Compro dois singles, com respectivos remixes: Don’t Tell Me e What It Feels Like For A Girl. Bonecas de Britney no caixa. Conto para dois Pedros por mensagem.









Rua de brechós. Terríveis. Quebra: Quem sonha com o “estilo francês” está preso nos anos 60 de Birkin e Gainsbourg, ou só tem vergonha de se assumir “clean girl”. Os franceses de 2026, por sua vez, estão presos no electroclash. Garimpar em Paris é nojento; neon, lantejoulas, corta-ventos e suéteres Memphis Lite. Os viados do Marais se vestem como bichas paulistas sub-Blessed Boy de 2018, a caminho da Festa Dando. Correntes pesadas e bermudas pretas. Os twinks de camiseta branca e jeans não me impressionam mais. Angústia sorrateira: começo a entender que nada nunca será o mesmo em lugar algum depois do Japão.
Exceto por um. O dono é árabe e solícito. A$AP Rocky compra aqui.
Livraria de bicha. Apanhando “Éden Éden Éden” e descendo ao porão. Livros de fotografia. James Bidgood, Gedney, LaBruce. Fanzines em papel amarelo dedicadas a Araki, Jarman e Dennis. Fico em dúvida. Levo um Peter de Potter.
Metrô até La Defense. Luta de boxe no shopping. Hollister. Último a sair da loja. Guardas pela praça brandindo armas. Algo acontecendo na cidade. Na estação de Saint-Germain, ao chegar, temos de ficar em fila e mostrar nossas passagens.
A mala não fecha, mas tem de fechar. Pausa. Potter na cama; começo a folhear.



Cabeça no pescoço, mão tocando: “Me Near You Into Pieces”; de costas com as mãos no zíper: “Refusal”; esmagando por trás: “Familiar Patterns”; mãos dadas: “You Taking Over”; nu no escuro: “Waiting For a God Complex”; abrindo a camisa: “Justice”; de boca no piso “Patience”, você por cima: “Letting Go”; virilha e crucifixo: “Monogamy”; lado-a-lado: “Sentiment Holding On”; “Entwining”; “Our Loving Past”; cabelo preto, sem face: “Privacy”
“Spilling Life”
Au revoir.
SONATINE
Não quero parar de viajar. Quero estar viajando para sempre. Fugindo? Xiu Xiu cantando Fast Car no fone de ouvido, “So I quit life and that’s what I did”.
Mito masculino primevo: viajar, atravessar, deixar, partir, abandonar, “para ser feliz”.
Menino se tornando homem?
Romance de formação?




(Catcher in the Rye no colo; estava em promoção no aeroporto)
and eye had a feeling that eye belonged
and I had a feeling I could be someone
Ser alguém? Ou ser nada?
Hora de embarcar.
HEJIRA



Then your life becomes a travelogue; strange boy weaving a course of grace and havoc; Icarus descending; while the sun is ascending; icy altitudes; clouds of Michelangelo; whole life in clouds; a ghost of aviation; angel’s overseer; swallowed by the sky; and the carbon ribbon rides are spelling it out so clear; chasing dreams; here to face the dream’s malfunction; blank face at the window; silent, waiting; gathering in my gaze; staring at a stolen name; still veils; vigorous anonymity; hot blood of being no one; porous with travel fever; but I’m so glad to be on my own; shaking off futility, or punishing somebody; friends calling me up all day; say I’ve disappeared; I’m rich and I’m fay and I’m not familiar; under my dark glasses; police think I’m the underworld; hide the hurt; probing the public rooms; peeking through keyholes; staring a hole in scrambled eggs; pawn shops glitter like gold tooth caps; cheap guitars and gums; in the grey decay; spring along the ditches; diamond boys and satin dolls; urban laughter; ghosts; history falls to parking lots and shopping malls; locals kicking and shaking on the floor; stares and stares and stares and stares; a thousand glass eyes; those same eyes, just like yours; old feelings hang around they just go underground; beneath the sheets of paper lies my truth; these things that you and I suppressed; why’d you have to lead me on that way?; love’s a repetitious danger; well deep and muddy; emotions and abstractions and the needy and the crippled; your hair was long when we first met; will you still love me when I get back to town?; we’re like America and Russia; always keeping score; always balancing the power; I can keep my cool at poker; cold cold war; hold ourselves a peace talk; waving truce against the moon; hope you’ll be thinking of me cause I’ll be thinking of you; tell them you’ve got me; they don’t know you’re sick; hanging on your boom-boom-pachyderm; you lay down your sneaking round; and I’ll lay down; why should I expect you to give it to me true?; I don’t like you; I’m gonna kill you if you don’t beat me to it; kindly stay away; run away myself; run away and wrestle with my ego; some vehicle some café; a plane to a taxi and a taxi to a train; a defector from the petty wars that shellshock love away; comfort in melancholy; no need to explain; come and go unknown; warm body; cold cuts; deep and superficial; crisp white sheets; clothes and jewelry; cellar full of antique dolls; sequences of mass and space; I see something of myself in everyone; damage in my face; high on travel; poison and medicine; hope and hopelessness; thaw out or freeze; in the church they light the candles and the wax rolls down like tears; dress of love; something lacy; bolts of lace; moody sky today; we were newly lovers then; and I sat before his sanity; he mirrored me back, simplified; mirrors of a modern bank; tears and kisses; stimulated illusions; one song he played; I could really feel; not much hair left on his head; and the powers of reason and the flowers of deep feeling seem to serve me only to deceive me; I left him then for the refuge of the roads; wide wide world and lovely landscapes to discover; but all I wanna do is find another lover; as the road leads cursed and charmed; where the players lick their wounds & take their temporary lovers & their pills & powders; whether you do or you do not resign; strange pillows of my wanderlust; yellow skateboard; cars as sets of waves; drifters, cast upon a beach town; pull of moon on tides; surf rising; perched ribs of sand; and still feel so alone; hitcher prisoner; and I slept on; pouring rain; bony finger; trembling in my bones; at least I accept the changes better than I used to; coming back on railroad tracks; returning to myself; until love sucks me back that way; looked up at the morning after being up all night; on the window of a hotel room; didn’t want to know what I seeing; storefront mannequin; always bound and tied to someone; my haggard face on the bathroom light; my ragged soul take flight; coming back from the moon; shine on your witness; into the forest; running; like a white-assed deer; with my reel to reel; to lose the blues to the innocence in here; to finality, to eternity; chicken scratching for my immortality; carrion and mercy; been traveling so long; how am I ever gonna know my home when I see it; no place like home no place like home no place like home; in search of love & music my life has been illumination corruption and diving diving diving; like a wheel of fortune I heard my fate turn turn turn; baggage overload; westbound and rolling; and I’ve still got my eyes on the land and the sky; green pastures by and by
APRIL STORY
Sentado na cama, em meu quarto de infância. Mostro um vídeo que gravei andando por Ikebukuro a Gabi. Ela diz,
“Parece outro mundo”
“E é… Sinto que voltei de Oz.”
A viagem foi um sonho; fui feliz. Fui? Por que então escrevendo, lendo o que escrevi, tudo parece um pouco triste? Talvez o narrador seja, não eu. Talvez um tenha que ser outra coisa. Qual deles? Pedro? Minet?
Talvez outro tempo. Talvez esteja triste agora; porque acabou, por outra coisa. Talvez uma coisa nunca seja exatamente outra. As coisas não são, só aparecem e parecem e desaparecem.
“Por que sumiu? Fiquei preocupado…” Mas só sentiu falta do que consumir.
Começo a postar os registros no perfil público quando já estou no Rio, reordenando a linha do tempo como parece melhor. Acompanham e assistem. Perguntam até quando fico. A um respondo, “Para sempre, espero”, os outros deixo no ar. Ninguém que não sabe precisa saber a verdade. Selecionando e mixando fragmentos, transformo em narrativa. Tempo e espaço entram em fluxo. De vez em quando, o presente intercepta. Me faz querer parar. Como intercepta estas memórias póstumas. Coisas que deixei quando parti não encontro no mesmo lugar. Ninguém sabe mais onde ninguém está.
Postar; arquivar; sumir; voltar.
Que horas são aí?
Imagem e terra.
Tudo parece e desaparece.


Este foi o último capítulo de Páscoa no Japão, por Pedro Minet…<3
Clique aqui para ler a Parte I, ou então aqui para ler a Parte II do início.



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